sexta-feira, 14 de junho de 2013

Meia Maratona de Florianopolis

Rápida, plana, fria. Esse foi o "peixe" que a O2 vendeu para atrair corredores para correr 21 km (também tinha prova de 10 e 5 km) a beira mar na Ilha da Magia. E atraiu MUITA gente, incluindo o casal que escreve nesse blog.

Antes de eu e a Júlia relatarmos as provas individualmente vou colocar o contexto em que nós corremos e nossos objetivos.

Comecei a me preparar para a prova há 3 meses e foi a primeira prova que eu me preparei com o auxilio de uma assessoria, a Webtreino. Anteriormente me preparava para provas com planos estabelecidos por eu mesmo ou planilhas achadas na internet. Conversei com o meu técnico, Fábio Bronze e estabelecemos um plano: se preparar para uma prova de 10 km e ir "subindo" as distancias até chegar na maratona daqui há mais ou menos 8 meses. Estava iniciando com uma base boa, fruto do treinamento que fiz para a minha primeira meia (que terminei em 1:45) e então a maioria dos treinos foram baseados em intensidade e intervalos. No começo sofri muito mas logo me acostumei com o treino. Analisando provas passadas e tempos em treinos o meu objetivo foi o de correr os 10 km abaixo de 45 minutos. Achei um objetivo razoável e não muito distante da minha realidade. Escolhi correr na Meia de Floripa exatamente pelos atrativos anunciados pela organização  Queria ter certeza que alcançaria meu máximo e que altimetria e temperatura não fossem obstáculos.

Após 3 meses de treinamento estava me sentindo pronto e a prova já estava chegando. Mas para minha infelicidade a "corrida" começou 3 dias antes: trabalho em uma plataforma de petróleo e estava programado para desembarcar dia 06 a tarde. Devido a um congestionamento o colega que iria me substituir não conseguiu comparecer a tempo do check-in do helicóptero no aeroporto e acabei tendo de ficar mais um dia a bordo. Não liguei muito, imprevistos acontecem, chegaria em casa sexta a noite e teria tempo suficiente para descansar e viajar no dia seguinte para Florianópolis. Sexta-feira chegou, fiz o voo de helicóptero sem problemas e cheguei em terra as 16 horas. Tempo suficiente para chegar até o aeroporto do Galeão, normalmente leva 45 minutos. Não dessa vez. Engarrafamentos absurdos, demorei 3 horas para chegar no aeroporto, mas cheguei a tempo. Pensei que apos passado esse susto nada mais daria errado. O voo saiu no horário, mas chegando em Curitiba o piloto anuncia que não teríamos teto para pousar e seguiríamos para Maringá. Comecei a ficar preocupado, pois o Kit da corrida não seria entregue no dia da corrida. Chegando em Maringá nos ofereceram um onibus para voltar para Curitiba. Não tive nem dúvida e meia noite o onibus partiu para Curitiba. Cheguei em Curitiba as 7 e 30 da manha, fui pra casa tomei um banho arrumamos as coisas e logo partimos para Floripa. Durante nossa viagem tivemos uma noticia muito boa: minha cunhada de 9 anos havia feito a sua primeira prova de natação e chegou em primeiro na sua bateria. Ficamos muito felizes e isso com certeza aumentou meu animo e o da Júlia. Chegamos em Florianopolis as 15:00 e direto para o hotel Majestic para pegar os kits. Dormimos cedo no mesmo num hotel próximo a largada e as 5 da manhã estávamos acordados para tomar o café da manhã. Acertamos os detalhes finais e partimos para a corrida.

Nossos números

A largada ocorreu no horário programado , as 7 da manhã e as provas dos 5, 10 e 21 km aconteceu simultaneamente, erro ABSURDO da organização. MUITA gente aglomerada antes do pórtico, eu tentei avançar um pouco para frente da largada mas não consegui ir muito longe. Acredito que havia uma fila de mais ou menos uns 100 metros para largar e mesmo tendo avançado por pelo menos metade da massa de corredores demorei 1:30 para alcançar o pórtico e começar a corrida.  Os números de peito distribuídos apresentavam cores diferentes: azul, verde e branco com a intenção de organizar a largada em baias. Não adiantou nada ninguém respeitou muitas pessoas que estavam ali para fazer 5 km andando largando na frente de quem queria fazer uma meia maratona rápida. Além disso a divisão das baias muito abrangente. Não lembro agora como exatamente estava organizada, mas acho que a baia verde era indicada para quem tinha pace de 7 min/km e a azul de 6/km. Mesmo se os corredores respeitassem com certeza haveria congestionamento na largada devido a falta de uma organização melhor para as baias.

Passado o pórtico o primeiro desafio foi tentar impor meu ritmo no meio daquele formigueiro. Minha meta era iniciar com 4:20 min/km e avaliar durante a prova se poderia ou não aumentar a velocidade. Foi complicado, muitas pessoas correndo de lado a lado formando filas, gente se confraternizando no meio da prova... Tive que pegar a ciclovia que passava paralelo a rua para fugir das pessoas. Funcionou muito bem, mas mesmo assim só consegui correr confortável e sem ficar desviando de pessoas no km 3. O primeiro km apesar das dificuldades eu consegui fechar em 4:28, um pouco acima do que eu queria mas dada a situação sinto que ainda sai no lucro.  Logo passando o segundo km a prova seguia por um viaduto. Não devia ter mais que 12 metros de altura mas algumas pessoas reclamaram bastante da prova ter passado por ali, principalmente quem fez os 5 kms pois logo apos descer o “morro”  os corredores deviam retornar pelo mesmo viaduto. Para os 10 km e meia a corrida avançou bastante até que o retorno fosse feito. A frente do viaduto somente leves inclinações que pouco afetavam o pace e foi assim quase a prova inteira. O segundo km eu fiquei bem entretido pelo percurso e não me lembro muita coisa. No terceiro km comecei a me avaliar: vi que o ritmo não estava nem muito pesado nem muito leve, senti que dava pra levar daquele jeito até o final. Pouco antes de entrar no quarto quilometro um rapaz jovem de camisa azul me ultrapassou. Senti que ele estava me “marcando” pois me passou seguiu rápido por uns 100 metros e depois diminuiu o passo. Decidi que não ia deixar barato e a partir daquele momento ele passou a ser meu coelho. Entramos e um túnel que devia ter uns 500 metros e quando percebi o cadarço do meu pé direito desamarrou. Fiquei um minuto pensando no que deveria fazer, ponderei em continuar a prova mesmo com o risco de tropeçar e ter que abandonar por ter me machucado. Decidi perder 10 segundos e terminar seguro. Só não contava que ia ser bem mais difícil amarrar os tênis durante uma corrida. Já tinha lido antes que quando você está no meio de uma prova perde a coordenação fina, mas não imaginava que era tanto. Não deu pra amarrar direito o tênis, só enfiei a ponta dos cadarços para dentro do tênis e prossegui. Voltei correndo um pouco mais forte para compensar o tempo perdido e pouco tempo depois encontrei meu coelho. Não estava muito longe e antes de fazer o retorno no km 5 eu ultrapassei ele.

Fazia muito tempo que não fazia uma prova de 10 km e meu pace agora estava 1 minuto comparando com minha última 10 k. Isso me deixou um pouco confuso pois os kms estavam passando muito mais rápidos do que imaginava, a metade da prova chegou e eu nem tinha sentido os 5 primeiros kms, bem diferente de provas anteriores que eu havia feito. Isso me deixou confiante e a partir daquele momento tinha certeza que iria terminar com um tempo bom. Retornando pelo túnel logo vejo o rapaz de camisa azul me passando novamente, tentei incentiva-lo mas ele fingiu que não era com ele e além disso botou uma boa distancia na minha frente. Continuei na cola dele e meu objetivo naquele momento era pelo menos encostar nele antes de acabar. Os kms foram passando até chegarmos de novo ao viaduto. Tirei um pouco da distancia dele na subida mas ele tirou ainda mais na descida. Ele passou um posto de abastecimento, pegou água e diminui bastante o ritmo. Diminuiu tanto que nem tive que forçar para alcança-lo. Fiquei de cara e disse “Po porque diminuiu tanto? Voce tava indo muito bem até agora! Vamos lá, vamos terminar fortes juntos!” e fomos. Um do lado do outro, um puxando o outro em ritmo sub 4 min/km. Estávamos a 1,5 km do final e logo a rua começou a encher com corredores que estavam terminando os 5 kms. Muita gente andando. Passamos muita gente juntos, chegando nos 300 mts finais apertamos ainda mais o passo. Olhei para o relógio e fiquei muito satisfeito com o tempo, não importava mais se ia chegar antes ou depois dele, e como tinha muita gente no pórtico de chegada resolvi diminuir um pouco para ele passar sozinho e eu logo após. A Júlia me viu chegando e ficou um pouco indignada pois não tinha dado um “Sprint” final. Eu sempre prezo por terminar a prova bem, e naquele momento já estava com a sensação de dever cumprido. Cruzei a linha de chegada com meu relógio marcando 42:06 (o tempo liquido oficial foi 42:07). Bati meu recorde em 12 minutos e tinha feito um amigo correndo. Conversamos um pouco no final da prova, agradecemos um ao outro. Pra quem me conhece bem sabe que sou muito fechado e tímido, mas as vezes a corrida nos aproxima de um jeito diferente das pessoas. Foi bom...

Agora o relato da Júlia:"A minha prova foi também estressante de início. Demorei 2min30seg para conseguir passar pelo pórtico e quase 2km só ultrapassando e tentando achar meu lugar ao sol. Acabamos pegando um viaduto, uma elevação de aproximadamente 10m de altura, o suficiente para muita gente reclamar absurdos disso. Como estava correndo apenas 5km, acabamos saindo do viaduto, já fazendo o retorno e novamente pegando o viaduto. Eu gostei, afinal as subidas, por enquanto, são meu forte. Quando percebi já estava no km 4! Quando vi o pórtico de chegada logo a minha frente, uns 200m, respirei fundo e fui… dei tudo de mim em um sprint! Consegui chegar um pouco abaixo do que planejava. pretendia acabar a prova em 30min (pace de 06min/km), acabei em 29min30seg. Os meus tempos foram: 1. km 06:10min, 2. km 05:53min, 3. km 05:48min, 4. km 05:53 e 5. km 05:33. Foi muito bom me desafiar e saber que posso um pouco mais do que eu mesma estava acreditando."


Após a chegada encontrei a Julia e fiquei sabendo que ela atingiu seu objetivo! Além disso ela me contou que foi reconhecida pelo Vitor, o repórter da O2 que escreveu nossa matéria de como perdemos peso. Senti orgulho de nós pela transformação que nossas vidas sofreram em tão pouco tempo.

Essa foi a primeira prova da semana! Logo teremos o relato da Corrida de Revezamento dos Namorados e do Aquathlon da Graciosa.

Um comentário:

  1. Felipe e Julia, a prova da O2 (até então) era a top que Floripa realizava. Entrando na sua terceira edição, quem esteve nas anteriores só teve elogios, não podia imaginar tamanha desorientação e desorganização. Achei errado anunciarem (venderem, mesmo) que aprova passasse pela ponte e depois mudar o percurso. Apesar de todos os contratempos, vocês superaram suas expectativas e concluíram super bem. Parabéns aos dois!!
    Eu não fiz a prova, pois dei preferência para planilha - já que meu objetivo é a meia de Buenos Aires e não queria perder 2 semanas de treinamento (Fase de polimento e Fase de Regenerativo).
    Aguardo relato das outras provas. ;)
    abraços
    Helena
    correndodebemcomavida.blogspot.com
    @Correndodebem

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