domingo, 17 de agosto de 2014

Ultramaratona com Amigos – 6 meses de diversão

Esse texto é um relato do meu pai, minha inspiração. Nele ele conta um pouco do seu treinamento e os 100 km da Volta ao Lago em Brasilia! Aproveitem!

Sempre desejei fazer uma prova de 100 km solo e a Volta ao Lago em Brasilia pareceu ser uma boa opção, é uma prova que tem uma altimetria tranquila, sem muitas subidas. Além disso Brasilia é a sede da equipe Quero-Quero, equipe em que eu treinos.

Meus treinos começaram em janeiro a prova ocorreu em  01 de junho de 2014. Logo no inicio dos treinos lesionei o Tendão de Aquiles do pé direito e em função disto por recomendação do Dr. Luiz Bauer deixei de correr 5 vezes por semana como fazia e passei a correr apenas 3 vezes, nos outros dias passei a fazer spining, musculação , alongamentos  e muita fisioterapia – gelo, ultrassom e TENS 
Também busquei reduzir meu peso que de 85-86 kg para para 81 – 82 kg o que consegui com ajuda da Nutricionista Ana Pegoraro.

Os treinos foram muito bons sempre estava esperando os sábados, dia dos longos de 3 horas, 4 horas, vários treinos de 30, 35 ,40  e 50 km, e treinos de 60, 65 e 70km sempre no Parque Bariguie em alguns treinos cheguei em alguns treinos saia um pouco do Parque fazendo as subidas da Candido  Hartmann (Rua que corta o Parque Barigui), mas com medo de me lesionar ou agravar a Lesão do Tendão de Aquiles evitei isso. Correndo menos vezes por semana dei uma chance para que que o Tendão se recupera-se para suportar a carga de treinos .

Os treinos durante a semana eram entre 12 e 20 km, os longos dos finais de semana variavam. Se em uma semana corria 50 km o treino da próxima semana era de 30km, se era 60km o próximo era de 35 km assim a quilometragem foi subindo até chegar a 70 km. Quem elaborou meus treinos foi o técnico Mauricio Letzow. Além de correr, fazia caminhada  nos domingos com minha esposa e amigos.

Treino de 12 de abril 60 km no Parque Barigui com chuva nos últimos 10 km – 5 horas e 40 minutos com Muller, João Prestes e amigos.



Treino de 26 de abril 65 km no Parque Barigui em 6 horas e 45 minutos com  muitos amigos acompanhando.

Em 4 de maio subi parte do Morro do Anhangava com minha esposa Leila.

Tênis Mizuno Profecy  comprado especialmente para a prova,foi muito confortável mas, acabou depois que fiz a prova, a Mizuno ( Procorrer) me deu um novo em garantia, a combinação da distancia e do calor acabou com a sola do calcanhar, este mesmo modelo de tênis suportou estimo mais  de 900 km de treinos de rotina é um excelente tênis, por algum motivo degastou de maneira excessiva na prova. 

O Ednaldo e a Jussara nos receberam em seu apartamento em Brasilia na sexta feira que anteceu a prova, eles foram de uma hospitalidade e carinho imensos comigo e com a Leila, nos apanhou no Aeroporto, me levou no sábado para conhecer os 100 km do percurso de carro, a foto é da Ermida Dom Bosco por onde a prova passa é o km 65.

Foto do Jantar de Massas da Equipe Quero Quero, no sábado a noite.A Quero Quero participou com varias Equipes no Revezamento da Volta ao Lago, até a metade da prova cruzei com amigos que estavam correndo no Revezamento.

No dia que antecedeu a prova tomei cerca de 2 litros de soro fisiológico para estar bem hidratado durante a prova, acredito que isto me tenha feito muito bem, fiz em casa no dia anterior a viagem a Brasília um plano do que iria comer e beber durante a prova de meia em meia hora, que ficou com o Ednaldo que de carro ia me abastecendo.

A prova teve largada as 6 :00 horas do domingo no Eixão de Brasilia, o apartamento do Ednaldo estava a uns 300m da Largada, acordei ( 5:00 h)pela manhã tomei café da manhã junto com o Ednaldo que já estava acordado juntando toda a tralha para a corrida, é muita coisa, em uma prova longa tem que comer durante toda a prova: carboidratos do tipo Exceed  1 a cada hora, batata com muito sal, pãozinho com recheio de goiabada e requeijão uma coisa deliciosa que a Jussara  esposa do Ednaldo fez, torrone, bebi muita água, soro, gatorade, suplementos (Acellerade e Onitargin), balinhas de goma de carboidratos, sal em capsulas, levei também Advil e Biofenac spray e muitas outras coisas tenis, camisetas,calção , esparadrado , protetor solar, canivete, vaselina, bonés,oculos.

A prova ocorreu em um dia com poucas nuvens e uma temperatura razoável acho que talvez tenha chegado a no máximo 28 graus Celsius, depois da largada no primeiro trecho o Carlyle Vilarinho me acompanhou, este trecho inicial compreende um pedaço do Eixão , entrada na altura da rodoviária na Esplanada dos Ministérios, segue por toda ela e vai na direção da residência da Presidência da Republica, estava muito agradável de correr,  isto seguiu até o primeiro trecho de terra  próximo ao Iate Clube, não tinha subida, não era extenso, mas não gosto de correr em piso irregular gosto de asfalto, todos os trechos de terra trotei ou andei  , isto fiz com que eu perde-se o ritmo e a concentração . A Comrades que fiz o ano passado me fez andar em vários trechos de subida por impossibilidade de correr, falta de força, mas o grande numero de participantes correndo a meu lado me fez ficar ligado o tempo todo mantendo o ritmo que o meu corpo permitia, na Volta ao lago depois da metade praticamente corri sozinho..


Por volta do km 35 – 40 comecei a sentir a temperatura e a perder ritmo, em uma transição um amigo da equipe Quero Quero meu deu uma garrafa de água gelada que joguei na cabeça e na nuca, já estava correndo de boné  abas que me protegeu muito do calor, mas meu copo devia estar muito quente,  o Ednaldo passou a me dar gelo em saquinhos eles se derretiam rapidamente: passava o gelo na nuca, colocava em baixo do boné e isto fez com que eu me restabelece e pudesse manter um rendimento razoável, a Vilma Del Lama por volta do meio dia passou também a me apoiar, passei a jogar bastante água na cabeça diminuindo a temperatura corpo , judiei na Vilma que em alguns trechos fora do asfalto ia me buscar levando  água e Gatorade mesmo com o joelho machucado o Ednaldo também sofreu ficou com a perna inchada ficar de pé ou dirigir das 6 horas até as 17:30 h .

Na Ermida Dom Bosco a Jussara e a Leila foram me esperar fiquei muito alegre, estava bem , muito tranquilo e pronto para enfrentar os últimos 35 km, depois deste trecho peguei mas algumas subidas  que subi correndo  não andei em ponto algum de asfalto, em algum lugar por volta das 14:30  percebi que se não aumenta-se  o ritmo não chegaria no tempo máximo estipulado que era de 11 horas e  30minutos, fui recuperando o tempo aos poucos, um trecho mais longo de terra me deixava preocupado andava com medo de me machucar, tentava tirar a diferença no asfalto agora já corria sozinho sem a companhia de outros corredores, os Postos logo depois da Ermida estavam sendo desmontados e depois do km 80 deixaram de existir. Não fosse o Ednaldo e a Vilma me guiarem certamente me perderia, tudo bem que acabei sendo o ultimo corredor solo a chegar mas a inscrição foi tão cara que isto não deveria ocorrer , afinal cheguei no tempo regular.


Algumas passagens entrem trechos de asfalto que eram a beira de viadutos eram muito precárias e inseguras coisa feita com ripas e arames muita gambiarra, fazendo um pouco melhor acredito que o organizador sujeitaria os corredores menos risco, mas enfim a corrida estava chegando ao final, quando estimei estar a menos de 2horas do final passei a tomar Coca Cola e isto aumentou muito meu animo, o tempo inteiro da prova me senti bem, não cheguei nem perto da exaustão, não tive vontade de desistir e como as 11h :20min  passaram rapidamente.

Lá estava por volta das 17:00 horas   no Eixão, era um final de tarde lindo, no domingo uma das pistas é bloqueada para o trafego de veículos e usada por corredores ,ciclistas e crianças com 97 km corridos perto de concluir a prova, preocupado com o tempo máximo de chegada pensei que teria que amentar meu ritmo  mais um pouco para concluir no tempo, a Vilma correu mais um pouco comigo me dando Coca Cola e me dizendo que estávamos  chegando eis que o prédio do Banco Central é avistado e o Portal da Chegada da prova  também, uma alegria imensa me vem chegando a prova terminou com 98,5 km aproximadamente, fiz aviãozinho, apanhei o Manto Sagrado ( bandeira da Equipe Corredores Quero Quero) e acompanhado da Vilma , do Ednaldo, da Rosa e de mais amigos cruzei a linha de chegada, disse para os vários amigos da Quero Quero que ficaram me esperando ( e esperaram bastante) desta minha alegria, estava bêbado de alegria, falei muito da inspiração de meu pai que foi um grande corredor que estaria muito feliz com este meu feito, pensei muito nele e em minha família.Foi muito bom , a sensação de concluir, de vencer as lesões que me acometeram durante a preparação Tendão de Aquiles, Joelho – cisto sinovial, quadril que toma vez que é forçado se manisfesta, da minha clavícula esquerda e que foram vencidos com determinação e disciplina, fisioterapia e Advil 200mg ( tomei um por hora depois das 4 horas de prova).


No próximo ano farei um outro desafio semelhante se Deus quiser e talvez junto com meu filho – um sonho meu, agora em setembro tenho a Maratona de Berlim , em novembro a Maratona de Curitiba.
Os treinos para a Volta ao Lago de Brasilia foram diferentes, ocorreram sempre com os amigos do Parque fazendo com que fossem alegres e que não houvesse tedio, correr 70 km no Parque foi muito bom.

Correr em um evento em Brasilia com o apoio do Ednaldo e Vilma e de todos amigos de lá foi muito especial e agradável, agradeço de coração a todos. 

Fiquei muito feliz de ter feito a escolha de correr a Volta ao Lago de Brasília, uma prova linda,  um senhor desafio, após a prova jantamos com o Ednaldo e a Jussara e na segunda feira viemos para Curitiba. 

Um agradecimento especial ao Dr. Luiz Bauer,  me consultei duas vezes com ele neste ano, é dele o melhor conselho que me permitiu correr a prova, reduza seus treinos de corrida pela metade, isto possibilitou que eu treina-se conclui-se a prova.

Ederaldo Conceição Telles Filho

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Equipamentos Patagonia Run

Uma duvida que tive desde quando comecei a treinar para a Patagonia Run foi que equipamentos devia usar. Não achei muita informação na internet somente que fazia muito frio. O problema é que nunca tinha corrido com "muito frio", somente com frio curitibano, uns 10 graus positivo, nesse caso 5 minutos de aquecimento já davam conta do recado. Não sabia o quanto ia ser de exagero na roupa ou se ia passar frio. Na duvida resolvi errar pro lado do exagero. Vamos lá, da cabeça aos pés:

-Lanterna de cabeça Black Diamond Spot:
Não tenho do que reclamar da lanterna. Atendeu muito bem. Ela tem um foco bem direcional, não "espalha" muito a luz. Não é uma lanterna fraca, atendeu bem a prova. Por conta do frio as pilhas duraram pouco, acredito que umas 6 horas.
O que eu mudaria: acrescentaria uma luz secundária na altura da cintura ou do peito. Sempre li a respeito disso que ajuda bastante a dar profundidade a luz, evidenciando mais as sombras e deixando os obstáculos mais expostos. Senti que faltava isso na prova, não cheguei a tropeçar, mas tinha que tomar bastante cuidado. Além disso em alguns momentos queria deixar a lanterna focada para pontos mais adiante do percurso e não podia pois tinha de focar os obstáculos a frente. Neste caso não precisaria sem uma lanterna forte pois não seria a principal...

-Buff:



Usei dois. Um da salomon (recomendo, o tecido é grosso, ajuda a manter o calor, só achei na Argentina..) e um que ganhamos de brinde no congresso técnico. Usei um na cabeça como gorro (pois o gorro que tinha comprado para esse uso ficou na minha mala que não chegou) e outro no pescoço/boca. Serviram muito bem ao proposito, não tenho do que reclamar. Outra coisa que ajudou a escapar do frio foi a barba. Eram poucas as ocasiões que tinha que puxar o buff pra cima da boca, geralmente em locais com muito vento. Foram isso ele ficava a maior parte do tempo protegendo o pescoço, não achava que ia ser necessário, mas estava muito frio mesmo e caiu bem essa proteção.

-Casaco Brooks Nightlife:


"Roubei" esse do meu pai. Atendeu muito bem a função.Não é um casaco fino como um corta vento, tem um tecido um pouco mais grosso. Não comecei a prova com ele, deixei ele guardado na mochila antes da prova. Lá pelo km 20 que comecei a usa-lo e tirei em poucas ocasiões. Os bolsos ajudaram muito, principalmente para guardar comida. Possui bastante ventilação mas apesar disso em situações de esforço sentia o suor acumular um pouco. Logo passava quando eu abria o zíper frontal. 

-Mochila de hidratação Kalenji Long Trail 8 lts


Comprei um més antes da prova por insistência da minha esposa. Não me arrependi, excelente custo beneficio (200 reais com a bolsa de hidratação 2 litros). Dá pra levar muita coisa nela, até demais se não cuidar! Mantem-se bem estável no corpo pelo sistema de fixação anterior com zíper. Senti falta de um porta caramanhola na frente. Dá pra levar bastões atras fixando eles usando os elásticos. Junto da mangueira da bolsa de hidratação eu coloquei uma capa de neoprene que comprei na Decatlon. Não deixou o conteúdo da bolsa congelar (algumas pessoas tiveram problemas com isso durante a prova).

-Mini caramalhola de 115 ml
Essa eu não cheguei a usar na prova pois estava na minha mala. Levei 5 dessas com o intuito de colocar gel. Dá pra colocar o conteúdo de 5-6 saches de gel tranquilamente nessa garrafinha. É muito prática e diminui enormemente a geração de lixo (que temos que ficar carregando nos bolsos depois!). Vale muito a pena, não troco por nada.

-Camisa da prova

Item obrigatório. No congresso técnico foi mencionado que não era necessário estar com ela a mostra durante a chegada pois muitos colocariam o casaco por cima por conta do frio. Camisa de boa qualidade de manga longa.

-Segunda pele Hi-tech Herman



Cumpriu muito bem ao que se destina. Aqueceu e não deixou acumular suor. Não aperta e não restringe o movimento. O único problema (que sempre tive com segunda pele) é que ela tende a subir pra barriga. Tive de puxar e prender com o elástico da calça para não incomodar

-Calça Kailash Race

Achei boa a calça. Não esquentou demais e não senti frio com ela. Tem dois bolsos laterais muito práticos. Cumpre bem o seu papel.

-Tenis Asics Fuji trainer 2

Não era intenção correr com esse tênis inicialmente. Mas nenhum outro se adaptou tão bem no final das contas. Não tem muito amortecimento (o que pra mim é o ideal, minimalista) e tem boa tração. O antepé é um pouco apertado (meu pé é largo). Fora isso ele não me deixou na mão, responde bem em trilhas técnicas e segura quando precisa. Virou um dos meus preferidos.

-Polaina Dirty Girl Gaiters

Pouca gente usa mas é muito útil, não incomoda e não deixa sujeira entrar no tênis. 

Não me estendi muito na avaliação dos produtos, no final vale o que estamos acostumados. Teve gente que passou muito frio, apesar de estar mais agasalhado que eu. Creio que a maioria das pessoas não iria sentir dificuldade em realizar a prova com os equipamentos descritos. Se tiver mais dúvidas pode me contatar pelo facebook (https://www.facebook.com/felipeptelles) que ajudarei com o maior prazer.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Relato Patagonia Run 100 K!



Finalmente chegou o dia que eu tanto esperava. Conclui a Patagonia Run 100 K depois de quase 6 meses de treinamento. Vou passar aqui um pouco de como foi a prova e em outras postagens eu vou tentar dar algumas dicas de como treinar para a prova e de equipamentos.

Cheguei dia 10/04 em San Martin de Los Andes na Argentina, uma verdadeira maratona para chegar até lá. Vários voos, traslados, esperas... E para ajudar, minha mala com diversos equipamentos e principalmente suplementos não havia chegado. Felizmente a roupa que eu estava programando para usar na prova, minha lanterna, mochila de hidratação e tênis vieram na minha bagagem de mão, o que amortizou um pouco do "prejuízo", porem não havia roupas nem tenis para realizar trocas no meio da prova e o mais importante, não tinha suplementos. Revirei San Martin atrás de gel de carboidrato, só achei de uma marca e em pouca quantidade. Eram péssimos, não consegui usar durante a prova (depois fui saber em uma conversa com um dos organizadores que a Argentina fechou as portas para a importação de suplementos! Atenção se você for fazer prova lá!)
Os 3 guerreiros
A prova ocorreu no dia 12/04 largando a meia noite. Dia 11/04 a tarde tivemos o congresso técnico. Não teve nada de muito novo. A maioria das informações apresentadas já estavam disponíveis no site da prova e também já havia lido relatos anteriores. Uma das novidades que agradou a maioria presente é quem em 2015 a prova contará com a distancia de 120 kms! Esperei até o último momento para que a minha mala chegasse com os suplementos, mas infelizmente fiquei só na espera. Ia ter que correr com os géis ruins e comida fornecida pela prova.
As 23:00h combinei com meus amigos de treino (Cid e Milton) que também iam correr os 100 km que nos encontraríamos perto do ponto aonde pegariamos a van para a largada. Emoção a flor da pele, não tem como descrever esses momentos...  Logo chegamos a base do exercito da onde a corrida sairia. Tudo foi muito rápido e logo estávamos nos alinhando no pórtico de largada. Muito frio, todos bem agasalhados para encarar os 100 kms. Esses momentos foram estranhos, todos ali alinhados para uma jornada de pelo menos 12 horas em terrenos variados e duríssimos. Começou a tocar um hard rock legal ali e todo mundo se aquecendo...10,9,8,7.......e partimos!
Momentos antes da largada
Na van antes da largada
Combinamos anteriormente que tentaríamos largar no meio do pessoal para não perder muito tempo nas trilhas técnicas do inicio que ficam bem congestionadas. O inicio foi tranquilo, sem forçar e nos mantemos juntos por uns 5 kms. O frio aumentava a cada km mas ainda estava correndo somente de segunda pele e camisa da prova. Passamos por alguns trechos técnicos, algumas descidas em zig-zag (essas ainda iriam aparecer muito pela prova) subidas e descidas curtas. O chão coberto de geada e orvalho brilhava sobre a luz de nossas lanternas. Era muito bonito e uma imagem que não cansou em nenhum momento. Logo entramos em uma estrada de terra com algumas subidas. Pelo traçado da prova da pra ver que subimos mais ou menos 300 metros em 3 km. Foi bem tranquilo, logo chegamos ao primeiro posto de hidratação, meu objetivo era passar direto por esse posto, mas bateu uma vontade enorme de fazer xixi e parei uns 200 metros pra frente deste posto. Isso ia se tornar rotina, a cada 2 kms tinha que parar para me aliviar. Creio que por conta do frio eu não estava transpirando tanto e por isso tudo tinha que sair pela urina, muito chato. Logo começamos uma subida mais inclinada por uma estrada de terra, e seguimos por várias descidas técnicas e subidas até chegar ao primeiro ponto de assistencia ao corredor que tinha comida, o PAS Corfone. Até ai só tinha comido o gel que eu tinha comprado e tomado isotonico da mochila da hidratação. No posto me alimentei com bolo, batata chips e castanhas além de um café bem açucarado. Sai de lá carregando algumas barrinhas de cereal para comer no caminho além de ter enchido a mochila de hidratação com isotonico. Segue um video rápido de como era o posto:
Entramos em mais uma estrada de chão com subida até o próximo ponto de hidratação. Durante este percurso eu resolvi colocar o casaco corta vento, fiquei bem mais confortavel. O posto de hidratação antes da ultima subida ao cume passei direto. Continuei parando diversas vezes para fazer xixi. Logo começamos a subida a montanha Colorado. Era uma subida em trilha single track, consegui subir bem, ultrapassei algumas pessoas no caminho. A neve cada vez se acumulava mais. Logo entramos em uma área de campo aberto e dava pra ver a luz dos corredores chegando ao cume e os corredores logo abaixo de mim. Em muitos pontos havia gelo no chão tornando a subida bem escorregadia e um pouco perigosa. Infelizmente como era noite não dava pra ver a paisagem ao redor. Cheguei ao cume, era uma area descampada com um muro de pedras que servia de proteção contra o vento. Alguns staffs ali para ajudar os corredores. Posso estar errado mas essa parte da corrida só foi percorrida por quem fez os 100 km. Fiquei um minuto ali e tentei fazer um video, que não mostrou muita coisa. Logo comecei a descida e vi que não ia ser nada fácil. 
Inicio da prova
O inicio da descida era muito inclinada, muitas partes tinham que ser feitas pulando ou sem freio mesmo. Como não tenho tanto condicionamento pra aguentar esse esforço e ter de correr mais 70 km depois eu fui devagar e me segurando bastante. Muitos zigzags, e em algumas descidas várias pedras soltas rolavam e te acertavam no calcanhar. Logo entramos numa floresta numa descida técnica single track. Ai
o negócio ficou feio, o corredor que estava logo a frente de mim caiu umas 2 vezes. Fiquei alerta e imaginei que não ia repetir o erro. Ilusão minha, em uma curva fechada havia bastante gelo grudado com pedras e ainda um tronco logo após. Fui passar esses obstaculos e cai. Nada demais, mas fiquei um pouco frustrado. Logo a frente a mesma situação, cai de novo. Muito gelo e pedras estavam atrapalhando o percurso. Cai umas 5 vezes em 5 minutos. Na última vez torci o joelho esquerdo na queda. Senti uma fisgada na lateral dele. Me levantei e continuei correndo. Doeu um pouco mas passou. Fiquei preocupado com o joelho mas logo os kms passaram e a dor não apareceu... A descida continuou bem inclinada mas felizmente não tão perigosa. O gelo não aparecia mais e o terreno era mais tranquilo.
Acabou a descida e logo cheguei ao ponto de assistencia. Me esquentei, comi bastante, peguei algumas barrinhas de cereal, enchi minha mochila de hidratação com isotonico e sai. Nesse posto havia a opção de pegar uma das minhas sacolas, mas como a roupa não estava atrapalhando nem os tenis, resolvi deixar pra lá. Ainda estava de noite e o frio estava atrapalhando bastante. O caminho até o próximo posto foi tranquilo, algumas subidas, bastante estrada de chão... Foi um trecho bem "corrivel"...Nesse ponto precisei trocar as pilhas da minha lanterna, ela estava muito fraca e ficou até perigoso eu correr assim pois o risco de tropeçar em uma pedra que não via era muito grande. Passamos por diversos corregos em que molhavamos o tenis...A água parecia uma faca penetrando, era muito gelada...Não tinha o que fazer, a cada 500 mts tinha um novo riacho. Comecei a comer mais barrinhas para me abastecer, os problema é que o gosto delas eram horriveis. Lá pela quarta ou quinta ficava enjoado só de pensar. Resolvi tentar ficar só no isotonico e de vez em quando tomar um gel, comendo bastante nos postos. Cheguei ao posto Quilanhue começando a amanhecer. Esse posto ficava com 42 km mais ou menos de prova e comecei a me sentir mesmo dentro da prova a partir deste marco. Sabia que as dificuldades que antes eram quase inexistentes iam começar a aparecer. Comi bastante novamente me aqueci e sai...Estava com mais ou menos 8 horas de prova nesse momento e o sol começava a aparecer. A paisagem era muito bonita ao redor, mas ainda continuava muito frio. Nesse ponto a concentração de riachos aumentou bastante, sempre estava com os pés molhados. Num desses riachos uma luva caiu na água. Tentei por de novo na mão mas estava impossivel aguentar o frio. Pendurei na cintura e continuei correndo. Quando vi a luva congelou. Nessa parte da prova o cansaço começou a bater forte. Ficou dificil para correr e comecei a sentir os quadriceps. Tentei comer um pouco da barrinha e do gel mas estava péssimo e fiquei enjoado com o gosto deles. Estav contando os kms para chegar ao proximo posto para conseguir comer bem. Passamos por diversos pastos e algumas estradas de chão até chegar ao posto Quechuquina. Repeti todo o procedimento, me aqueci, comi bastante...Nesse posto também havia a sacola, desta vez peguei a sacola mas somente usei o calção que tinha colocado ali para por cima da calça que eu estava vestindo...Vou explicar o porque melhor num outro post que vou fazer sobre o equipamento que eu usei. Também tomei anti-inflamatório e tomei bastante sopa. Deu uma boa animada. Nesse ponto passamos da marca dos 50 km (estava com 09:46 de prova, o que eu estava esperando), o que era marca inédita pra mim pois nos treinos infelizmente não tinha passado dos 50 km (vou escrever um pouco mais sobre isso em outro post).
Eu to ali no cantinho da foto =)
Quase amanhacendo mas ainda muito FRIO!
Novamente algumas estradas de chão e pastos até entrar numa floresta em trilha single track. Muitos troncos para desviar e várias subidas...Continuava só no isotonico, tava dificil comer...Minha velocidade dimunuiu bastante e estava me sentindo péssimo. Cansado, enjoado, desmotivado...Nesse momento estava correndo a maior parte do tempo sozinho, e a corrida não rendia. Estava no fundo do poço. Tive de parar do lado da trilha em um momento pois estava muito tonto, achei que ia desmaiar a qualquer instante. Comi algumas balas que tinha no bolso tomei bastante isotonico e prossegui. Nem me lembro muito dessa parte, só lembro que estava mal. Após me recuperar (não me lembro quanto tempo levou e nem quão distante eu estava do proximo ponto de assistencia) eu adotei a seguinte estrategia: a cada 40 minutos comer pelo menos uma barrinha inteira junto com bastante isotonico nos intervalos desses 40 minutos tomar bastante isotonico. Posso dizer que isso salvou a minha prova. Repetia esse ritual mesmo enjoado...sabia que se não fizesse isso não aguentaria até o fim. 
Um dos riachos que atravessamos. FRIO!
Após estar um pouco mais recuperado cheguei ao PAS Coihue (o último antes da subida a segunda e última montanha da prova) ainda mal...Cansado e enjoado. Sabia que ali as coisas iam piorar bastante. Subiriamos o monte Quilanhue. O Staff nos posto nos avisou que seriam 4 kms de subida infernal com 3 kms de descida infernal. Nesse momento fiquei em duvida se conseguiria e o meu estado naquele momento era um dos piores possiveis...Logo depois de ter passado mal na trilha imaginei que poderia passar mal na subida e ficar por ali mesmo. O pessoal que estava parada junto comigo no posto começou a sair do posto, e eu segui sem pensar muito. Estava contando cada quilometro. Não nada fácil, principalmente porque neste ponto já estava com 70 kms nas costas. Nesse momento que vi a real dificuldade do percurso. Tenho de confessar que até esse momento não estava achando a prova tão difícil assim, estava que a maratona de Corupá estava mais difícil. Acho que muitos corredores ficaram neste ponto. Comecei a subir, sempre comendo no horário certo mesmo enjoado. Não voltei a ficar tão mal quanto antes. Apesar de ser muito dura, a subida até que passou rápido. Fui no meu ritmo sem forçar..Novamente alguns trechos com neve e gelo. 4 km após cheguei ao cume. Nunca irei esquecer a visão que tive de lá. Era muito lindo, com certeza uma das coisas mais bonitas que já vi na vida. Se voce um dia decidir fazer a Patagonia Run faça uma distancia que contemple a subida a este cume. Vale muito a pena. 
Fiquei admirando a vista e tirando fotos por uns 5 minutos e comecei a descida. A descida foi muito pior que a subida, sem sombra de duvida. O terreno da descida era areia grossa com algumas pedras e muito inclinada, fazendo vários zigzags...Alguns trechos a descida era tão inclinada que chegava a ser uma queda... 
Corri nos trechos em que era possivel e na maior parte das quedas descia derrapando o calcanhar na areia...Fui bem rápido até na descida, consegui ultrapassar algumas pessoas (não estava mais me importando com o tempo de prova neste momento, só queria terminar). O problema é que o joelho que eu tinha torcido no km 30 agora começou a incomodar...Não conseguia mais descer apoiando na perna esquerda (do joelho machucado), tinha que descer somente apoiando no lado direito...Isso trouxe um pouco mais de sofrimento para uma parte bem chata da prova...Não aguentava mais descer e estava doendo bastante, mas depois de 3 km chegamos ao posto Quilanlahue pela segunda vez na prova. 

Eu no cume. Atrás dá pra ver o Vulcão Lanin! Uma das vistas mais bonitas da prova!
Neste momento não estava mais me sentindo mal por falta de comida, mas aproveitei e comi bastante de novo. Como faltava pouco mais de 20 kms para acabar a prova resolvi correr um pouco mais. Até esse ponto fui bastante conservador. Estava com quase 16 horas de prova. O tempo começou a esfriar mais também, apesar do sol. Meu joelho estava incomodando bastante. Nesta parte corremos bastante por estradas de chão. Se eu andasse meu joelho doia muito, então só restava correr mesmo...
Cheguei ao posto Colorado 2 uma hora e meia depois de ter saido do ultimo posto. A dor no joelho aumentava mas ainda estava suportavel. Neste momento tive de recolocar a lanterna de cabeça pois estava escurecendo. Isso me deixou um pouco chateado, não queria chegar durante a noite. Mas logo deixei isso de lado e coloquei na cabeça que perto das dificuldades do percurso chegar seria uma grande vitória. 
Logo depois que sai do posto Colorado a dor foi aumentando e não parava de aumentar. Neste momento faltavam uns 15 kms para acabar a prova e se não fosse por estar tão próximo da chegada eu certamente teria desistido. A dor estava muito forte neste momento. Andar só piorava e correr rápido também piorava.

O que me restava era um trote de cavalo manco...Fui ultrapassado por muita gente andando nesse momento. Foi agonizante...Próximo de chegar ao ultimo ponto de assistencia antes da chegada o PAS Bayos, imaginei se eles tinham algum médico para me ajudar. Assim que cheguei solicitei por ajuda médica. Vieram 2...mal consegui me mexer até chegar a área de exame. Um dos médicos fez manobras no joelho para analisar instabilidades na articulação ou ruptura do ligamento. Felizmente não era o caso. Me ofereceram um antiinflamatorio oral ou injetavel. Optei pelo oral... Sai do posto muito mal, mal conseguia apoiar o joelho.. não tenho vergonha de dizer que neste momento chorei de dor...e chorei várias vezes durante os ultimos 7 kms até a chegada...Logo a noite baixou e o frio também. O frio piorava muito a dor...Dava pra ver a cidade ao fundo, mas cada km parecia interminavel. Logo entramos em uma descida de asfalto que eu com certeza "voaria" se estivesse bem... Mas nesse momento no meu trotinho eu era passado por pessoas andando..Nesse momento eu só pensava no quão perto estava a chegada e que não podia desistir tão perto. Foi muito dificil. Logo entramos na cidade e muita gente parabenizava os corredores. Apesar desse pessoal me animar, a dor logo me desanimava... Logo fui reconhecendo os lugares próximos a chegada. Logo estaria chegando...De repente ouvi vários gritos e parabéns e várias pessoas vindo em minha direção. Eram meus amigos (Cid, Marcia e Rosane) junto da minha esposa Júlia. Tinha muita coisa para falar naquele momento, muita coisa que queria dividir, queria abraçar todos...Mas na limitação da minha dor só pude dizer que estava dificil. Eles me seguiram até a linha de chegada, o Cid depois de correr 100 km em um tempaço ainda conseguiu correr comigo...Fiquei muito feliz! Ultrapassei a linha de chegada e recebi a medalha! Tudo aquilo que havia me dedicado há mais de 6 meses havia acabado. Tinha terminado a Patagonia Run 100 km. Muitas coisas me vieram na cabeça após ter cruzado a linha de chegada...Tentei me levantar para abraçar a Julia...não consegui, fui pro chão...Não aguentava mais ficar em pé por causa do joelho...Chamaram o médico para me examinar. Novamente ele viu que não era nada sério e falou para eu tomar um banho e repousar...Tentei andar novamente e doia muito...Me apoiei na Julia e fui assim até o hotel umas 3 quadras da chegada...Foi muito dolorido, parecia interminavel...
Para terminar:a prova foi somente a pontinha do iceberg de meses de preparação e estudo. O mais dificil de fazer uma prova neste estilo não é somente percorrer a prova, mas toda a preparação que ela envolve. Tive de treinar muitas horas na esteira, muitas horas durante a semana...Felizmente quando estou em terra tenho bastante tempo livre e minha esposa sempre me apoia no esporte, mas imagino o quão dificil não é para alguem que tem que dividir o tempo entre trabalho, familia...Fiz muitos amigos treinando..o Bruno, técnico da webtreino que me iniciou nas montanhas e foi mostrando o caminho do trail run, o Cid que passou muito tempo treinando comigo principalmente na trilha da Copel e nas montanhas. O Milton que só fui conhecer no último treino de montanha mas que é um grande atleta e uma pessoa muito agradável.
Vale a pena mencionar que o Cid foi o primeiro Brasileiro a chegar na distancia 100 km e o único homem brasileiro a se classificar para a loteria da Western States (tinha que terminar a prova em menos de 16 horas...DURISSIMO!). O Milton ganhou a categoria 60+ com um ótimo tempo! Só treinei com fera!
Aprendi muito com a prova, tenho muito o que dividir com todos...A prova é sensacional e muito difícil. Vou ainda escrever um post sobre como treinei e um outro sobre os equipamentos que usei na prova...Ainda faltam colocar fotos e videos, mas vou fazendo aos poucos. Preferi fazer o relato já para não perder da memória o que eu passei...
Resultado final: 20:32 de prova! 

Obrigado a todos que me apoiaram e me prepararam...Meu técnico Fábio Bronze, que sempre me disse que dava, sempre me botou pra cima e sempre acreditou em mim. Várias dificuldades no caminho que conseguimos contornar junto. Com certeza parte fundamental desse sucesso...Meu amigo e fisioterapeuta Cid, grande parceiro de treinos, amigo, além de excelente fisioterapeuta! A nutricionista Yana Glaser que está me acompanhando já faz mais de um ano, já fez parte de outras conquistas e fez um plano muito legal para eu utilizar na prova que infelizmente não pode ser posto em prática porque meus suplementos não chegaram...Minha esposa Júlia que sempre me apoiou e cada vez que merecia um incentivo ou puxão de orelha ela estava lá. Meu pai por ser minha inspiração! Com certeza muito mais gente está nessa lista, e todas essas pessoas sabem que fizeram parte dessa conquista...a todos meu agradecimento!

quarta-feira, 5 de março de 2014

Corupá Extreme Marathon

Maratona é sinônimo de corrida. Para o leigo qualquer corrida é maratona. Quem nunca ouviu Maratona de 10 km, Maratona da São Silvestre. Para corredor, maratona tem exatos 42,1 km e é a distancia que muitos temem e ao mesmo tempo sonham em fazer. Eu estou me preparando para uma prova de 100 km, então inevitavelmente a distancia da maratona seria coberta sem grandes festividades e seria somente parte do "protocolo". Por sorte achei uma prova bem legal que iria bater certinho com o meu calendário de treinos e ainda teria uma altimetria legal para me preparar para as montanhas da Patagônia: Corupá Extreme Marathon. Conheci a prova durante a clínica do Iazaldir Feitosa promovida pela Webtreino. Isso foi no final do ano passado, e desde então a prova parecia um pensamento distante.

Os meses foram passando os treinamentos se intensificando, as distancias aumentando...E a prova cada vez mais perto. Não estava ligando muito na verdade, como disse antes fazia parte somente de um "protocolo". Fui aumentando as distancias nos treinos gradativamente, até chegar aos 32 kms. Nada demais a não ser pelo fato de esses 32 kms ocorrerem 4 dias antes da prova, rs...Nunca tinha corrido mais que 32 kms na minha vida inteira. Nessa mesma semana que fiz 32 kms eu tinha feito 20 kms no domingo os 32 na terça e pra fechar 12 na quarta. A prova era no sábado e já estava com 64 kms nas costas. Não me importei muito pra falar a verdade, estava encarando a prova como treino e o importante era finalizar, já que ia ser uma prova muito dificil em um terreno que ainda não domino muito e com uma altimetria pesada.

Chegamos (eu, meus pais e minha esposa Julia) em Jaraguá do Sul na sexta no final da tarde após uma viagem chata e cansativa. Tivemos de correr para Corupá (cidade onde seria realizada o congresso técnico e a entrega dos kits) para podermos chegar a tempo da apresentação técnica. Chegamos no Hotel Tureck (onde acontecia o congresso) e logo a apresentação começou. Começaram a detalhar o percurso, mostraram as fotos, as dificuldades. Nessa a ansiedade que antes não existia começou a crescer. Vi que o negocio não ia ser nem um pouco fácil. A dúvida se eu iria acabar que antes não existia passou a ser parte dos meus pensamentos no restante da noite e no inicio do dia seguinte. Eu e a Julia saímos do congresso técnico e fomos jantar para logo em seguida ir para o hotel, arrumar as coisas para o dia seguinte e dormir.

Acordamos bem cedo no dia da prova, nem precisei de despertador tamanha a ansiedade. Tomamos nosso café da manhã conferimos os últimos detalhes. Fui colocar meu tenis para prova quando percebi...A lingua do tenis havia se descosturado na base da mesma.  Não tinha trazido nenhum outro então não tinha o que fazer. Desencanei...
Pré largada, eu e minha esposa Júlia

Chegamos uns 15 minutos antes da largada que ia acontecer as 8:00. Logo encontrei o Cid meu fisioterapeuta, combinamos de tentar fazer a prova juntos. Ele tem bastante experiencia em provas de endurance e sempre esta bem preparado, sabia que não ia ser tarefa fácil. Logo que nos alinhamos para a largada o Bonnato organizador da prova nos informou que devido as fortes chuvas ocorridas durante a noite o percurso da Maratona (que teria mais ou menos 40 km) teria de ser mudado para um percurso de 46 kms. Todo mundo achou ótimo. Logo em seguida ele comentou que fariamos um circuito de 2 voltas na prova de 23 kms para completar os 46. A maioria achou ruim, pra ser sincero eu não ligo muito não...

Momentos antes da largada
Contagem regressiva e largamos. Eu e o Cid saimos fortes (4:30-4:40 o km), nesse ritmo normalmente eu não tenho muitos problemas pra manter por bastante tempo sem me esforçar muito. Mas logo percebi que não ia rolar no dia. As pernas estavam pesadas e o folego "curto". Talvez tenha sido pela semana pesada ou porque não era pra ser mesmo...Mantemos assim até sair do asfalto (mais ou menos uns 3 kms). Logo começaram as estradas de chão com subidas. Subimos bem, em alguns trechos corremos um pouco. Senti uma pedra incomodando no meu tenis, ela tinha entrado no buraco que ficou descosturado na lingua, tive de parar para arrumar, odeio ter que fazer isso mas não tinha outro jeito. Me preocupei, sabia que o tenis ia dar trabalho ao longo da corrida. Corremos por 1 km mais ou menos na estrada de chão e logo chegamos ao inicio da subida em trilha. Não era muito técnica, mas tinha muita lama e bem inclinada, mantemos o ritmo forte. Em alguns trechos o terreno era plano o que possibilitava a corrida.. Logo chegamos a um trecho que foi mencionado no congresso técnico: um vale enorme onde era possível avistar diversas montanhas proximas, uma vista muito bonita. Nesse trecho haviam vários banhados, cada passo a perna afundava até as canelas na lama. Não tinha muito o que fazer qualquer lugar que se pisava estava comprometido. E o maldito tenis descosturado só acumulando lama. Ele estava incomodando demais mas não queria parar naquele momento, estavamos num ritmo bom.

Logo entramos em uma trilha bem técnica. Trechos técnicos são meu ponto fraco, fico muito receoso de tropeçar, torcer o tornozelo e além disso não sou muito ágil o que me fez perder bastante tempo ali. O Cid manda muito bem nesses trechos e se mandou...Depois disso nem cheguei mais perto dele! A trilha era pesada e em alguns momentos tivemos de subir auxiliados por cordas.
Subida auxiliada por corda
O trecho era de mata fechada
Sai dessa trilha com o tenis cheio de pedras e lama, aproveitei para tirar um pouco e conseguir correr melhor. Não adiantou muito mas mesmo assim segui em frente. Fui informado por um dos staffs que subiriamos somente mais um pouco e logo era só descida, me animei, sou bom em descidas. Só tinha um detalhe. Todo o percurso estava atolado de lama. Era lama de tudo quanto é tipo e forma. Tinha piscina de lama, lama dura, lama mole, água com lama...Não consegui correr grande parte do percurso, a maior parte do tempo lutava pra não ficar encalhado e por conta disso fui passado por muita gente. Nesse momento a vontade de "correr" a corrida diminuiu e a partir dai só pensava em terminar. Foi muito difícil esse momento, o tenis estava incomodando, a corrida não fluia, o calor estava aumentando, comecei a sentir dor no tornozelo direito. Em um momento meu braço esquerdo bateu em um galho e me machuquei um pouco, comecei a sangrar, nada demais, mas incomodou.  Pensei por alguns momento em desistir. O meu GPS estava marcando mais ou menos 20 kms e ainda faltava uma volta para acabar.
Nesse momento eu estava acabado, muito cansado
Antes de fazer a volta tivemos que entrar em uma estrada de asfalto e correr 3 kms até a cidade.Estava muito quente e o asfalto piorava tudo. Assim que entrei no asfalto vi um homem correndo em minha direção. Era meu pai! Fiquei muito feliz, não estava esperando. Chegando próximo a largada (onde faríamos a volta) comecei a sentir muita dor de barriga. Muita mesmo, tive que parar e andar. Tive de procurar um banheiro (e esperar pois estava ocupado) antes de prosseguir. Fora isso reabasteci minha mochila comi um pouco e parti. Foi bastante tempo parado, mas tinha de ser feito se quisesse terminar a corrida.

Comecei a segunda volta ainda me sentindo muito mal. Estava me esforçando muito pra manter um ritmo médio.Ainda tinha 3-4 km de asfalto eu senti muito calor, tive de andar bastante. Por sorte achamos um morador que estava trabalhando no quintal de casa e ele nos cedeu a mangueira do jardim para nos refrescar. Foi muito bom e ajudou muito, me senti revigorado. Finalmente chegamos ao inicio da estrada de chão. Lá tinha um grupo de staffs da Bananalama (grupo de jipeiros da região que ajudou muito na segurança do evento. MUITO OBRIGADO!) oferecendo coca-cola e água. Tomei um pouco de coca, meu pai ficou por ali e comecei a subir.

Assustado com a primeira volta, comecei a subir bem mais comedido, focando somente no momento e evitando me exceder. Funcionou, cheguei muito bem até a trilha técnica e tinha encaixado um ritmo bom. A trilha técnica foi bem cansativa mas assim que terminei ela sabia que ia terminar a prova. Sempre que via a possibilidade de "tomar um banho" parava e me refrescava. Ajudou bastante e todos estavam fazendo o mesmo.

Logo começou a descida, dessa vez já estava mais esperto com ela. Estava muito mais enlameado dessa vez por conta de jipeiros que tinham passado por ali momentos antes. Alguns até estavam encalhados por causa da lama, tivemos que desviar deles pelo canto. Avancei bem mais rápido e não liguei muito em ficar atolado e cair. Me sujei bem mais dessa vez e foi bem divertido!

Enlameado mas feliz

Faltava uns 5 kms para acabar a corrida então decidi acelerar um pouco. Logo cheguei no asfalto e meu pai me esperava novamente. Corremos juntos até a linha de chegada, o calor apertou novamente mas como estava chegando não liguei muito. Foi muito bom atravessar a linha de chegada e ver toda minha família me esperando feliz pra comemorar comigo.
Quase chegando!



Cheguei! Muito feliz!

Pós-prova com a familia!


A prova foi animal. Recomendo a todos que queiram fazer. A organização se mostrou impecável e o desafio foi enorme! Ano que vem o retorno é garantido!
Vou falar em um post separado sobre o que aprendi na prova e como estou me sentindo pros 100 km da Patagonia!

sábado, 4 de janeiro de 2014

PATAGONIA RUN

Começaram oficialmente os treinos para a Patagonia Run 100 km. Até agora não mudou muito, o volume semanal tem subido um pouco e tenho encarado subidas em quase todos os treinos e testando meus equipamentos. Estou usando uma mochila de hidratação da Nathan e um tenis GoTrail da skechers, versão trail do meu tenis preferido o GoBionic. Até agora sem reclamaçao nenhuma dos equipamentos.
Antes de encarar os 100 km irei correr minha primeira maratona. Serão os 42 kms da Extreme Marathon e Corupá-SC. É estranho estrear na distancia numa prova assim. Sei que não terei o melhor tempo do mundo mas isso não importa muito, vai contar como um treino. Atualmente estou embarcado, os treinos na esteira tem saido bem, estou confiante em chegar pra prova tranquilo.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Retorno + Provas + Desafios

Depois de um tempão sem atualizar o blog vou tentar deixar tudo mais ou menos em dia e "anunciar" nosso novo desafio.

Antes de tudo: Eu (Felipe) e a Júlia casamos =) Segue um video com os melhores momentos:

http://www.youtube.com/watch?v=m-7NQsfLppY&desktop_uri=%2Fwatch%3Fv%3Dm-7NQsfLppY&app=desktop

Foi muito legal, estamos ainda aproveitando o momento, mas a lua-de-mel ainda não saiu e tem muito a ver com nosso próximo desafio.

Logo depois do casamento gravamos um especial para a RPC TV na qual falamos sobre o quanto a corrida mudou nossas vidas. Passamos a tarde gravando, foi cansativo... Deve ir ao ar em janeiro!

Fiquei 15 dias no Rio trabalhando e quando voltei fiz a meia maratona de Blumenau no dia 24/11. Bati meu recorde pessoal, terminei a meia em 1:28:50. Fiquei muito satisfeito e ainda fiquei em quarto lugar na categoria. Levei pra casa um troféu muito legal. A prova foi sem muitos acontecimentos. Consegui manter o ritmo do inicio ao fim, sem variar muito. Poucas subidas, clima agradável. É uma prova ótima para quem quer fazer tempo.

Hoje (01/12) corri o Trail do Santa Monica, corrida organizada pela TRC, com grande parte do trajeto em trilhas single track. Foi dificil, pesada e o ritmo puxado desde o inicio. Minha primeira prova em trail. Terminei em primeiro lugar na categoria! A Júlia também mandou muito bem e ficou em segunda na categoria.
Júlia no podio. Depois mudaram o resultado por erro no chip e ela ficou em segunda na categoria

Primeiro na categoria

Essa prova também marcou o inicio do treinamento para meu novo desafio: 100 km na Patagonia Run, em 12/04 do ano que vem, dia do meu aniversario! A Júlia fará os 21 km estreando na distancia. Faremos também nossa lua-de-mel oficial. Ficaremos alguns dias passeando pela Argentina. Vai ser difícil, mas longe de ser impossível. 
Esse ano foi muito bom para mim no esporte, sai do zero e nas ultimas provas disputadas estou quase sempre pegando pelo menos pódio na categoria. Meu corpo tem mostrado que consegue agüentar muito. Estou confiante de que com um treinamento adequado consigo vencer este desafio. Vou tentar atualizar mais frequentemente o blog com mais informações sobre preparação e provas!

sábado, 19 de outubro de 2013

Vida de uma Noiva Triatleta

Hoje estava saindo da faculdade (curso Comércio Exterior, 6. período, noturno), pensando em escrever no blog. Não queria contar sobre as provas, pois, apesar de em várias delas acontecerem coisas bem diferentes e divertidas, queria contar algo mais pessoal.
Eu estou noiva há 2 anos e meio e me casarei semana que vem, dia 26 de outubro. Faremos um jantar somente para a família, 40 convidados. Se fosse fazer festa para amigos e pessoas que tenho carinho especial, teria que convidar umas 200 pessoas e não é muito meu estilo festas desse tamanho.
Eu emagreci muito do ano passado para cá. Foram 27kg, somente com alimentação e esporte. Fico meio chateada quando me perguntam se fiz isso pelo casamento. Nããããão! Fiz isso por mim, pela minha saúde, pelo resto da minha vida, não somente para ficar bem nas fotos e depois voltar a ser uma baleia.
Essa semana foi muito difícil para mim. Me mantive muito calma e tranqüila até então, porém a correria está extrema. Não estou ansiosa com o evento em si, pois acho que vai dar tudo certo. Para falar a verdade, estou ansiosa para comer os doces. Faz um bom tempo que não como doces, então isso tem me deixado um pouco tentada.
E o que isso tem a ver com treino? Absolutamente tudo. Os treinos continuam, a vida continua, as responsabilidades continuam. Não é porque vou casar que as coisas tem que parar. Pelo contrário. Sinto que uma das coisas que tem me deixado centrada e tem me dado equilíbrio são justamente os treinos.
Infelizmente, não tenho conseguido fazer todos da maneira como planejado. Não é sempre que consigo correr no horário que desejo e fazer a aula de técnica de ciclismo que está marcada na planilha. Isso me deixa chateada, pois sinto como se tivesse me traindo. A sensação de perder treino é péssima. Tenho sempre que lembrar que será 1 ou 2 semanas assim, depois a regularidade volta ao normal, mas também não posso me cobrar demais, pois será o meu casamento logo logo.
O que eu percebi nessa loucura toda é que não devemos nos jogar totalmente de cabeça em uma só coisa. Amanhã (sábado) vai ser mais um dia cheio. Tenho treino, tenho reunião na faculdade, tenho contas a pagar, arranjos para decidir, tenho uns mimos de noiva para fazer, tenho uma prova de corrida noturna para fazer e tenho uma pizzada na casa de um amigo para ir. Tenho coisas legais para fazer, todos os dias e isso em deixa tão feliz, tão inspirada para o próximo dia que somente posso ser grata. Grata por ter conseguido um equilíbrio em minha vida, por ter o controle das situações (pelo menos eu acho), por ter uma válvula de escape. O esporte!
Gosto demais da possibilidade de poder fugir da loucura diária fazendo algo que me dá um prazer enorme. Uma corridinha de 30min já vale o dia inteiro de felicidade. Desejo profundamente que todos possam encontrar em suas vidas algo tão bom e especial quanto o triathlon é para mim!!!


                                                                 Felicidade!!!