quarta-feira, 23 de abril de 2014

Relato Patagonia Run 100 K!



Finalmente chegou o dia que eu tanto esperava. Conclui a Patagonia Run 100 K depois de quase 6 meses de treinamento. Vou passar aqui um pouco de como foi a prova e em outras postagens eu vou tentar dar algumas dicas de como treinar para a prova e de equipamentos.

Cheguei dia 10/04 em San Martin de Los Andes na Argentina, uma verdadeira maratona para chegar até lá. Vários voos, traslados, esperas... E para ajudar, minha mala com diversos equipamentos e principalmente suplementos não havia chegado. Felizmente a roupa que eu estava programando para usar na prova, minha lanterna, mochila de hidratação e tênis vieram na minha bagagem de mão, o que amortizou um pouco do "prejuízo", porem não havia roupas nem tenis para realizar trocas no meio da prova e o mais importante, não tinha suplementos. Revirei San Martin atrás de gel de carboidrato, só achei de uma marca e em pouca quantidade. Eram péssimos, não consegui usar durante a prova (depois fui saber em uma conversa com um dos organizadores que a Argentina fechou as portas para a importação de suplementos! Atenção se você for fazer prova lá!)
Os 3 guerreiros
A prova ocorreu no dia 12/04 largando a meia noite. Dia 11/04 a tarde tivemos o congresso técnico. Não teve nada de muito novo. A maioria das informações apresentadas já estavam disponíveis no site da prova e também já havia lido relatos anteriores. Uma das novidades que agradou a maioria presente é quem em 2015 a prova contará com a distancia de 120 kms! Esperei até o último momento para que a minha mala chegasse com os suplementos, mas infelizmente fiquei só na espera. Ia ter que correr com os géis ruins e comida fornecida pela prova.
As 23:00h combinei com meus amigos de treino (Cid e Milton) que também iam correr os 100 km que nos encontraríamos perto do ponto aonde pegariamos a van para a largada. Emoção a flor da pele, não tem como descrever esses momentos...  Logo chegamos a base do exercito da onde a corrida sairia. Tudo foi muito rápido e logo estávamos nos alinhando no pórtico de largada. Muito frio, todos bem agasalhados para encarar os 100 kms. Esses momentos foram estranhos, todos ali alinhados para uma jornada de pelo menos 12 horas em terrenos variados e duríssimos. Começou a tocar um hard rock legal ali e todo mundo se aquecendo...10,9,8,7.......e partimos!
Momentos antes da largada
Na van antes da largada
Combinamos anteriormente que tentaríamos largar no meio do pessoal para não perder muito tempo nas trilhas técnicas do inicio que ficam bem congestionadas. O inicio foi tranquilo, sem forçar e nos mantemos juntos por uns 5 kms. O frio aumentava a cada km mas ainda estava correndo somente de segunda pele e camisa da prova. Passamos por alguns trechos técnicos, algumas descidas em zig-zag (essas ainda iriam aparecer muito pela prova) subidas e descidas curtas. O chão coberto de geada e orvalho brilhava sobre a luz de nossas lanternas. Era muito bonito e uma imagem que não cansou em nenhum momento. Logo entramos em uma estrada de terra com algumas subidas. Pelo traçado da prova da pra ver que subimos mais ou menos 300 metros em 3 km. Foi bem tranquilo, logo chegamos ao primeiro posto de hidratação, meu objetivo era passar direto por esse posto, mas bateu uma vontade enorme de fazer xixi e parei uns 200 metros pra frente deste posto. Isso ia se tornar rotina, a cada 2 kms tinha que parar para me aliviar. Creio que por conta do frio eu não estava transpirando tanto e por isso tudo tinha que sair pela urina, muito chato. Logo começamos uma subida mais inclinada por uma estrada de terra, e seguimos por várias descidas técnicas e subidas até chegar ao primeiro ponto de assistencia ao corredor que tinha comida, o PAS Corfone. Até ai só tinha comido o gel que eu tinha comprado e tomado isotonico da mochila da hidratação. No posto me alimentei com bolo, batata chips e castanhas além de um café bem açucarado. Sai de lá carregando algumas barrinhas de cereal para comer no caminho além de ter enchido a mochila de hidratação com isotonico. Segue um video rápido de como era o posto:
Entramos em mais uma estrada de chão com subida até o próximo ponto de hidratação. Durante este percurso eu resolvi colocar o casaco corta vento, fiquei bem mais confortavel. O posto de hidratação antes da ultima subida ao cume passei direto. Continuei parando diversas vezes para fazer xixi. Logo começamos a subida a montanha Colorado. Era uma subida em trilha single track, consegui subir bem, ultrapassei algumas pessoas no caminho. A neve cada vez se acumulava mais. Logo entramos em uma área de campo aberto e dava pra ver a luz dos corredores chegando ao cume e os corredores logo abaixo de mim. Em muitos pontos havia gelo no chão tornando a subida bem escorregadia e um pouco perigosa. Infelizmente como era noite não dava pra ver a paisagem ao redor. Cheguei ao cume, era uma area descampada com um muro de pedras que servia de proteção contra o vento. Alguns staffs ali para ajudar os corredores. Posso estar errado mas essa parte da corrida só foi percorrida por quem fez os 100 km. Fiquei um minuto ali e tentei fazer um video, que não mostrou muita coisa. Logo comecei a descida e vi que não ia ser nada fácil. 
Inicio da prova
O inicio da descida era muito inclinada, muitas partes tinham que ser feitas pulando ou sem freio mesmo. Como não tenho tanto condicionamento pra aguentar esse esforço e ter de correr mais 70 km depois eu fui devagar e me segurando bastante. Muitos zigzags, e em algumas descidas várias pedras soltas rolavam e te acertavam no calcanhar. Logo entramos numa floresta numa descida técnica single track. Ai
o negócio ficou feio, o corredor que estava logo a frente de mim caiu umas 2 vezes. Fiquei alerta e imaginei que não ia repetir o erro. Ilusão minha, em uma curva fechada havia bastante gelo grudado com pedras e ainda um tronco logo após. Fui passar esses obstaculos e cai. Nada demais, mas fiquei um pouco frustrado. Logo a frente a mesma situação, cai de novo. Muito gelo e pedras estavam atrapalhando o percurso. Cai umas 5 vezes em 5 minutos. Na última vez torci o joelho esquerdo na queda. Senti uma fisgada na lateral dele. Me levantei e continuei correndo. Doeu um pouco mas passou. Fiquei preocupado com o joelho mas logo os kms passaram e a dor não apareceu... A descida continuou bem inclinada mas felizmente não tão perigosa. O gelo não aparecia mais e o terreno era mais tranquilo.
Acabou a descida e logo cheguei ao ponto de assistencia. Me esquentei, comi bastante, peguei algumas barrinhas de cereal, enchi minha mochila de hidratação com isotonico e sai. Nesse posto havia a opção de pegar uma das minhas sacolas, mas como a roupa não estava atrapalhando nem os tenis, resolvi deixar pra lá. Ainda estava de noite e o frio estava atrapalhando bastante. O caminho até o próximo posto foi tranquilo, algumas subidas, bastante estrada de chão... Foi um trecho bem "corrivel"...Nesse ponto precisei trocar as pilhas da minha lanterna, ela estava muito fraca e ficou até perigoso eu correr assim pois o risco de tropeçar em uma pedra que não via era muito grande. Passamos por diversos corregos em que molhavamos o tenis...A água parecia uma faca penetrando, era muito gelada...Não tinha o que fazer, a cada 500 mts tinha um novo riacho. Comecei a comer mais barrinhas para me abastecer, os problema é que o gosto delas eram horriveis. Lá pela quarta ou quinta ficava enjoado só de pensar. Resolvi tentar ficar só no isotonico e de vez em quando tomar um gel, comendo bastante nos postos. Cheguei ao posto Quilanhue começando a amanhecer. Esse posto ficava com 42 km mais ou menos de prova e comecei a me sentir mesmo dentro da prova a partir deste marco. Sabia que as dificuldades que antes eram quase inexistentes iam começar a aparecer. Comi bastante novamente me aqueci e sai...Estava com mais ou menos 8 horas de prova nesse momento e o sol começava a aparecer. A paisagem era muito bonita ao redor, mas ainda continuava muito frio. Nesse ponto a concentração de riachos aumentou bastante, sempre estava com os pés molhados. Num desses riachos uma luva caiu na água. Tentei por de novo na mão mas estava impossivel aguentar o frio. Pendurei na cintura e continuei correndo. Quando vi a luva congelou. Nessa parte da prova o cansaço começou a bater forte. Ficou dificil para correr e comecei a sentir os quadriceps. Tentei comer um pouco da barrinha e do gel mas estava péssimo e fiquei enjoado com o gosto deles. Estav contando os kms para chegar ao proximo posto para conseguir comer bem. Passamos por diversos pastos e algumas estradas de chão até chegar ao posto Quechuquina. Repeti todo o procedimento, me aqueci, comi bastante...Nesse posto também havia a sacola, desta vez peguei a sacola mas somente usei o calção que tinha colocado ali para por cima da calça que eu estava vestindo...Vou explicar o porque melhor num outro post que vou fazer sobre o equipamento que eu usei. Também tomei anti-inflamatório e tomei bastante sopa. Deu uma boa animada. Nesse ponto passamos da marca dos 50 km (estava com 09:46 de prova, o que eu estava esperando), o que era marca inédita pra mim pois nos treinos infelizmente não tinha passado dos 50 km (vou escrever um pouco mais sobre isso em outro post).
Eu to ali no cantinho da foto =)
Quase amanhacendo mas ainda muito FRIO!
Novamente algumas estradas de chão e pastos até entrar numa floresta em trilha single track. Muitos troncos para desviar e várias subidas...Continuava só no isotonico, tava dificil comer...Minha velocidade dimunuiu bastante e estava me sentindo péssimo. Cansado, enjoado, desmotivado...Nesse momento estava correndo a maior parte do tempo sozinho, e a corrida não rendia. Estava no fundo do poço. Tive de parar do lado da trilha em um momento pois estava muito tonto, achei que ia desmaiar a qualquer instante. Comi algumas balas que tinha no bolso tomei bastante isotonico e prossegui. Nem me lembro muito dessa parte, só lembro que estava mal. Após me recuperar (não me lembro quanto tempo levou e nem quão distante eu estava do proximo ponto de assistencia) eu adotei a seguinte estrategia: a cada 40 minutos comer pelo menos uma barrinha inteira junto com bastante isotonico nos intervalos desses 40 minutos tomar bastante isotonico. Posso dizer que isso salvou a minha prova. Repetia esse ritual mesmo enjoado...sabia que se não fizesse isso não aguentaria até o fim. 
Um dos riachos que atravessamos. FRIO!
Após estar um pouco mais recuperado cheguei ao PAS Coihue (o último antes da subida a segunda e última montanha da prova) ainda mal...Cansado e enjoado. Sabia que ali as coisas iam piorar bastante. Subiriamos o monte Quilanhue. O Staff nos posto nos avisou que seriam 4 kms de subida infernal com 3 kms de descida infernal. Nesse momento fiquei em duvida se conseguiria e o meu estado naquele momento era um dos piores possiveis...Logo depois de ter passado mal na trilha imaginei que poderia passar mal na subida e ficar por ali mesmo. O pessoal que estava parada junto comigo no posto começou a sair do posto, e eu segui sem pensar muito. Estava contando cada quilometro. Não nada fácil, principalmente porque neste ponto já estava com 70 kms nas costas. Nesse momento que vi a real dificuldade do percurso. Tenho de confessar que até esse momento não estava achando a prova tão difícil assim, estava que a maratona de Corupá estava mais difícil. Acho que muitos corredores ficaram neste ponto. Comecei a subir, sempre comendo no horário certo mesmo enjoado. Não voltei a ficar tão mal quanto antes. Apesar de ser muito dura, a subida até que passou rápido. Fui no meu ritmo sem forçar..Novamente alguns trechos com neve e gelo. 4 km após cheguei ao cume. Nunca irei esquecer a visão que tive de lá. Era muito lindo, com certeza uma das coisas mais bonitas que já vi na vida. Se voce um dia decidir fazer a Patagonia Run faça uma distancia que contemple a subida a este cume. Vale muito a pena. 
Fiquei admirando a vista e tirando fotos por uns 5 minutos e comecei a descida. A descida foi muito pior que a subida, sem sombra de duvida. O terreno da descida era areia grossa com algumas pedras e muito inclinada, fazendo vários zigzags...Alguns trechos a descida era tão inclinada que chegava a ser uma queda... 
Corri nos trechos em que era possivel e na maior parte das quedas descia derrapando o calcanhar na areia...Fui bem rápido até na descida, consegui ultrapassar algumas pessoas (não estava mais me importando com o tempo de prova neste momento, só queria terminar). O problema é que o joelho que eu tinha torcido no km 30 agora começou a incomodar...Não conseguia mais descer apoiando na perna esquerda (do joelho machucado), tinha que descer somente apoiando no lado direito...Isso trouxe um pouco mais de sofrimento para uma parte bem chata da prova...Não aguentava mais descer e estava doendo bastante, mas depois de 3 km chegamos ao posto Quilanlahue pela segunda vez na prova. 

Eu no cume. Atrás dá pra ver o Vulcão Lanin! Uma das vistas mais bonitas da prova!
Neste momento não estava mais me sentindo mal por falta de comida, mas aproveitei e comi bastante de novo. Como faltava pouco mais de 20 kms para acabar a prova resolvi correr um pouco mais. Até esse ponto fui bastante conservador. Estava com quase 16 horas de prova. O tempo começou a esfriar mais também, apesar do sol. Meu joelho estava incomodando bastante. Nesta parte corremos bastante por estradas de chão. Se eu andasse meu joelho doia muito, então só restava correr mesmo...
Cheguei ao posto Colorado 2 uma hora e meia depois de ter saido do ultimo posto. A dor no joelho aumentava mas ainda estava suportavel. Neste momento tive de recolocar a lanterna de cabeça pois estava escurecendo. Isso me deixou um pouco chateado, não queria chegar durante a noite. Mas logo deixei isso de lado e coloquei na cabeça que perto das dificuldades do percurso chegar seria uma grande vitória. 
Logo depois que sai do posto Colorado a dor foi aumentando e não parava de aumentar. Neste momento faltavam uns 15 kms para acabar a prova e se não fosse por estar tão próximo da chegada eu certamente teria desistido. A dor estava muito forte neste momento. Andar só piorava e correr rápido também piorava.

O que me restava era um trote de cavalo manco...Fui ultrapassado por muita gente andando nesse momento. Foi agonizante...Próximo de chegar ao ultimo ponto de assistencia antes da chegada o PAS Bayos, imaginei se eles tinham algum médico para me ajudar. Assim que cheguei solicitei por ajuda médica. Vieram 2...mal consegui me mexer até chegar a área de exame. Um dos médicos fez manobras no joelho para analisar instabilidades na articulação ou ruptura do ligamento. Felizmente não era o caso. Me ofereceram um antiinflamatorio oral ou injetavel. Optei pelo oral... Sai do posto muito mal, mal conseguia apoiar o joelho.. não tenho vergonha de dizer que neste momento chorei de dor...e chorei várias vezes durante os ultimos 7 kms até a chegada...Logo a noite baixou e o frio também. O frio piorava muito a dor...Dava pra ver a cidade ao fundo, mas cada km parecia interminavel. Logo entramos em uma descida de asfalto que eu com certeza "voaria" se estivesse bem... Mas nesse momento no meu trotinho eu era passado por pessoas andando..Nesse momento eu só pensava no quão perto estava a chegada e que não podia desistir tão perto. Foi muito dificil. Logo entramos na cidade e muita gente parabenizava os corredores. Apesar desse pessoal me animar, a dor logo me desanimava... Logo fui reconhecendo os lugares próximos a chegada. Logo estaria chegando...De repente ouvi vários gritos e parabéns e várias pessoas vindo em minha direção. Eram meus amigos (Cid, Marcia e Rosane) junto da minha esposa Júlia. Tinha muita coisa para falar naquele momento, muita coisa que queria dividir, queria abraçar todos...Mas na limitação da minha dor só pude dizer que estava dificil. Eles me seguiram até a linha de chegada, o Cid depois de correr 100 km em um tempaço ainda conseguiu correr comigo...Fiquei muito feliz! Ultrapassei a linha de chegada e recebi a medalha! Tudo aquilo que havia me dedicado há mais de 6 meses havia acabado. Tinha terminado a Patagonia Run 100 km. Muitas coisas me vieram na cabeça após ter cruzado a linha de chegada...Tentei me levantar para abraçar a Julia...não consegui, fui pro chão...Não aguentava mais ficar em pé por causa do joelho...Chamaram o médico para me examinar. Novamente ele viu que não era nada sério e falou para eu tomar um banho e repousar...Tentei andar novamente e doia muito...Me apoiei na Julia e fui assim até o hotel umas 3 quadras da chegada...Foi muito dolorido, parecia interminavel...
Para terminar:a prova foi somente a pontinha do iceberg de meses de preparação e estudo. O mais dificil de fazer uma prova neste estilo não é somente percorrer a prova, mas toda a preparação que ela envolve. Tive de treinar muitas horas na esteira, muitas horas durante a semana...Felizmente quando estou em terra tenho bastante tempo livre e minha esposa sempre me apoia no esporte, mas imagino o quão dificil não é para alguem que tem que dividir o tempo entre trabalho, familia...Fiz muitos amigos treinando..o Bruno, técnico da webtreino que me iniciou nas montanhas e foi mostrando o caminho do trail run, o Cid que passou muito tempo treinando comigo principalmente na trilha da Copel e nas montanhas. O Milton que só fui conhecer no último treino de montanha mas que é um grande atleta e uma pessoa muito agradável.
Vale a pena mencionar que o Cid foi o primeiro Brasileiro a chegar na distancia 100 km e o único homem brasileiro a se classificar para a loteria da Western States (tinha que terminar a prova em menos de 16 horas...DURISSIMO!). O Milton ganhou a categoria 60+ com um ótimo tempo! Só treinei com fera!
Aprendi muito com a prova, tenho muito o que dividir com todos...A prova é sensacional e muito difícil. Vou ainda escrever um post sobre como treinei e um outro sobre os equipamentos que usei na prova...Ainda faltam colocar fotos e videos, mas vou fazendo aos poucos. Preferi fazer o relato já para não perder da memória o que eu passei...
Resultado final: 20:32 de prova! 

Obrigado a todos que me apoiaram e me prepararam...Meu técnico Fábio Bronze, que sempre me disse que dava, sempre me botou pra cima e sempre acreditou em mim. Várias dificuldades no caminho que conseguimos contornar junto. Com certeza parte fundamental desse sucesso...Meu amigo e fisioterapeuta Cid, grande parceiro de treinos, amigo, além de excelente fisioterapeuta! A nutricionista Yana Glaser que está me acompanhando já faz mais de um ano, já fez parte de outras conquistas e fez um plano muito legal para eu utilizar na prova que infelizmente não pode ser posto em prática porque meus suplementos não chegaram...Minha esposa Júlia que sempre me apoiou e cada vez que merecia um incentivo ou puxão de orelha ela estava lá. Meu pai por ser minha inspiração! Com certeza muito mais gente está nessa lista, e todas essas pessoas sabem que fizeram parte dessa conquista...a todos meu agradecimento!

quarta-feira, 5 de março de 2014

Corupá Extreme Marathon

Maratona é sinônimo de corrida. Para o leigo qualquer corrida é maratona. Quem nunca ouviu Maratona de 10 km, Maratona da São Silvestre. Para corredor, maratona tem exatos 42,1 km e é a distancia que muitos temem e ao mesmo tempo sonham em fazer. Eu estou me preparando para uma prova de 100 km, então inevitavelmente a distancia da maratona seria coberta sem grandes festividades e seria somente parte do "protocolo". Por sorte achei uma prova bem legal que iria bater certinho com o meu calendário de treinos e ainda teria uma altimetria legal para me preparar para as montanhas da Patagônia: Corupá Extreme Marathon. Conheci a prova durante a clínica do Iazaldir Feitosa promovida pela Webtreino. Isso foi no final do ano passado, e desde então a prova parecia um pensamento distante.

Os meses foram passando os treinamentos se intensificando, as distancias aumentando...E a prova cada vez mais perto. Não estava ligando muito na verdade, como disse antes fazia parte somente de um "protocolo". Fui aumentando as distancias nos treinos gradativamente, até chegar aos 32 kms. Nada demais a não ser pelo fato de esses 32 kms ocorrerem 4 dias antes da prova, rs...Nunca tinha corrido mais que 32 kms na minha vida inteira. Nessa mesma semana que fiz 32 kms eu tinha feito 20 kms no domingo os 32 na terça e pra fechar 12 na quarta. A prova era no sábado e já estava com 64 kms nas costas. Não me importei muito pra falar a verdade, estava encarando a prova como treino e o importante era finalizar, já que ia ser uma prova muito dificil em um terreno que ainda não domino muito e com uma altimetria pesada.

Chegamos (eu, meus pais e minha esposa Julia) em Jaraguá do Sul na sexta no final da tarde após uma viagem chata e cansativa. Tivemos de correr para Corupá (cidade onde seria realizada o congresso técnico e a entrega dos kits) para podermos chegar a tempo da apresentação técnica. Chegamos no Hotel Tureck (onde acontecia o congresso) e logo a apresentação começou. Começaram a detalhar o percurso, mostraram as fotos, as dificuldades. Nessa a ansiedade que antes não existia começou a crescer. Vi que o negocio não ia ser nem um pouco fácil. A dúvida se eu iria acabar que antes não existia passou a ser parte dos meus pensamentos no restante da noite e no inicio do dia seguinte. Eu e a Julia saímos do congresso técnico e fomos jantar para logo em seguida ir para o hotel, arrumar as coisas para o dia seguinte e dormir.

Acordamos bem cedo no dia da prova, nem precisei de despertador tamanha a ansiedade. Tomamos nosso café da manhã conferimos os últimos detalhes. Fui colocar meu tenis para prova quando percebi...A lingua do tenis havia se descosturado na base da mesma.  Não tinha trazido nenhum outro então não tinha o que fazer. Desencanei...
Pré largada, eu e minha esposa Júlia

Chegamos uns 15 minutos antes da largada que ia acontecer as 8:00. Logo encontrei o Cid meu fisioterapeuta, combinamos de tentar fazer a prova juntos. Ele tem bastante experiencia em provas de endurance e sempre esta bem preparado, sabia que não ia ser tarefa fácil. Logo que nos alinhamos para a largada o Bonnato organizador da prova nos informou que devido as fortes chuvas ocorridas durante a noite o percurso da Maratona (que teria mais ou menos 40 km) teria de ser mudado para um percurso de 46 kms. Todo mundo achou ótimo. Logo em seguida ele comentou que fariamos um circuito de 2 voltas na prova de 23 kms para completar os 46. A maioria achou ruim, pra ser sincero eu não ligo muito não...

Momentos antes da largada
Contagem regressiva e largamos. Eu e o Cid saimos fortes (4:30-4:40 o km), nesse ritmo normalmente eu não tenho muitos problemas pra manter por bastante tempo sem me esforçar muito. Mas logo percebi que não ia rolar no dia. As pernas estavam pesadas e o folego "curto". Talvez tenha sido pela semana pesada ou porque não era pra ser mesmo...Mantemos assim até sair do asfalto (mais ou menos uns 3 kms). Logo começaram as estradas de chão com subidas. Subimos bem, em alguns trechos corremos um pouco. Senti uma pedra incomodando no meu tenis, ela tinha entrado no buraco que ficou descosturado na lingua, tive de parar para arrumar, odeio ter que fazer isso mas não tinha outro jeito. Me preocupei, sabia que o tenis ia dar trabalho ao longo da corrida. Corremos por 1 km mais ou menos na estrada de chão e logo chegamos ao inicio da subida em trilha. Não era muito técnica, mas tinha muita lama e bem inclinada, mantemos o ritmo forte. Em alguns trechos o terreno era plano o que possibilitava a corrida.. Logo chegamos a um trecho que foi mencionado no congresso técnico: um vale enorme onde era possível avistar diversas montanhas proximas, uma vista muito bonita. Nesse trecho haviam vários banhados, cada passo a perna afundava até as canelas na lama. Não tinha muito o que fazer qualquer lugar que se pisava estava comprometido. E o maldito tenis descosturado só acumulando lama. Ele estava incomodando demais mas não queria parar naquele momento, estavamos num ritmo bom.

Logo entramos em uma trilha bem técnica. Trechos técnicos são meu ponto fraco, fico muito receoso de tropeçar, torcer o tornozelo e além disso não sou muito ágil o que me fez perder bastante tempo ali. O Cid manda muito bem nesses trechos e se mandou...Depois disso nem cheguei mais perto dele! A trilha era pesada e em alguns momentos tivemos de subir auxiliados por cordas.
Subida auxiliada por corda
O trecho era de mata fechada
Sai dessa trilha com o tenis cheio de pedras e lama, aproveitei para tirar um pouco e conseguir correr melhor. Não adiantou muito mas mesmo assim segui em frente. Fui informado por um dos staffs que subiriamos somente mais um pouco e logo era só descida, me animei, sou bom em descidas. Só tinha um detalhe. Todo o percurso estava atolado de lama. Era lama de tudo quanto é tipo e forma. Tinha piscina de lama, lama dura, lama mole, água com lama...Não consegui correr grande parte do percurso, a maior parte do tempo lutava pra não ficar encalhado e por conta disso fui passado por muita gente. Nesse momento a vontade de "correr" a corrida diminuiu e a partir dai só pensava em terminar. Foi muito difícil esse momento, o tenis estava incomodando, a corrida não fluia, o calor estava aumentando, comecei a sentir dor no tornozelo direito. Em um momento meu braço esquerdo bateu em um galho e me machuquei um pouco, comecei a sangrar, nada demais, mas incomodou.  Pensei por alguns momento em desistir. O meu GPS estava marcando mais ou menos 20 kms e ainda faltava uma volta para acabar.
Nesse momento eu estava acabado, muito cansado
Antes de fazer a volta tivemos que entrar em uma estrada de asfalto e correr 3 kms até a cidade.Estava muito quente e o asfalto piorava tudo. Assim que entrei no asfalto vi um homem correndo em minha direção. Era meu pai! Fiquei muito feliz, não estava esperando. Chegando próximo a largada (onde faríamos a volta) comecei a sentir muita dor de barriga. Muita mesmo, tive que parar e andar. Tive de procurar um banheiro (e esperar pois estava ocupado) antes de prosseguir. Fora isso reabasteci minha mochila comi um pouco e parti. Foi bastante tempo parado, mas tinha de ser feito se quisesse terminar a corrida.

Comecei a segunda volta ainda me sentindo muito mal. Estava me esforçando muito pra manter um ritmo médio.Ainda tinha 3-4 km de asfalto eu senti muito calor, tive de andar bastante. Por sorte achamos um morador que estava trabalhando no quintal de casa e ele nos cedeu a mangueira do jardim para nos refrescar. Foi muito bom e ajudou muito, me senti revigorado. Finalmente chegamos ao inicio da estrada de chão. Lá tinha um grupo de staffs da Bananalama (grupo de jipeiros da região que ajudou muito na segurança do evento. MUITO OBRIGADO!) oferecendo coca-cola e água. Tomei um pouco de coca, meu pai ficou por ali e comecei a subir.

Assustado com a primeira volta, comecei a subir bem mais comedido, focando somente no momento e evitando me exceder. Funcionou, cheguei muito bem até a trilha técnica e tinha encaixado um ritmo bom. A trilha técnica foi bem cansativa mas assim que terminei ela sabia que ia terminar a prova. Sempre que via a possibilidade de "tomar um banho" parava e me refrescava. Ajudou bastante e todos estavam fazendo o mesmo.

Logo começou a descida, dessa vez já estava mais esperto com ela. Estava muito mais enlameado dessa vez por conta de jipeiros que tinham passado por ali momentos antes. Alguns até estavam encalhados por causa da lama, tivemos que desviar deles pelo canto. Avancei bem mais rápido e não liguei muito em ficar atolado e cair. Me sujei bem mais dessa vez e foi bem divertido!

Enlameado mas feliz

Faltava uns 5 kms para acabar a corrida então decidi acelerar um pouco. Logo cheguei no asfalto e meu pai me esperava novamente. Corremos juntos até a linha de chegada, o calor apertou novamente mas como estava chegando não liguei muito. Foi muito bom atravessar a linha de chegada e ver toda minha família me esperando feliz pra comemorar comigo.
Quase chegando!



Cheguei! Muito feliz!

Pós-prova com a familia!


A prova foi animal. Recomendo a todos que queiram fazer. A organização se mostrou impecável e o desafio foi enorme! Ano que vem o retorno é garantido!
Vou falar em um post separado sobre o que aprendi na prova e como estou me sentindo pros 100 km da Patagonia!

sábado, 4 de janeiro de 2014

PATAGONIA RUN

Começaram oficialmente os treinos para a Patagonia Run 100 km. Até agora não mudou muito, o volume semanal tem subido um pouco e tenho encarado subidas em quase todos os treinos e testando meus equipamentos. Estou usando uma mochila de hidratação da Nathan e um tenis GoTrail da skechers, versão trail do meu tenis preferido o GoBionic. Até agora sem reclamaçao nenhuma dos equipamentos.
Antes de encarar os 100 km irei correr minha primeira maratona. Serão os 42 kms da Extreme Marathon e Corupá-SC. É estranho estrear na distancia numa prova assim. Sei que não terei o melhor tempo do mundo mas isso não importa muito, vai contar como um treino. Atualmente estou embarcado, os treinos na esteira tem saido bem, estou confiante em chegar pra prova tranquilo.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Retorno + Provas + Desafios

Depois de um tempão sem atualizar o blog vou tentar deixar tudo mais ou menos em dia e "anunciar" nosso novo desafio.

Antes de tudo: Eu (Felipe) e a Júlia casamos =) Segue um video com os melhores momentos:

http://www.youtube.com/watch?v=m-7NQsfLppY&desktop_uri=%2Fwatch%3Fv%3Dm-7NQsfLppY&app=desktop

Foi muito legal, estamos ainda aproveitando o momento, mas a lua-de-mel ainda não saiu e tem muito a ver com nosso próximo desafio.

Logo depois do casamento gravamos um especial para a RPC TV na qual falamos sobre o quanto a corrida mudou nossas vidas. Passamos a tarde gravando, foi cansativo... Deve ir ao ar em janeiro!

Fiquei 15 dias no Rio trabalhando e quando voltei fiz a meia maratona de Blumenau no dia 24/11. Bati meu recorde pessoal, terminei a meia em 1:28:50. Fiquei muito satisfeito e ainda fiquei em quarto lugar na categoria. Levei pra casa um troféu muito legal. A prova foi sem muitos acontecimentos. Consegui manter o ritmo do inicio ao fim, sem variar muito. Poucas subidas, clima agradável. É uma prova ótima para quem quer fazer tempo.

Hoje (01/12) corri o Trail do Santa Monica, corrida organizada pela TRC, com grande parte do trajeto em trilhas single track. Foi dificil, pesada e o ritmo puxado desde o inicio. Minha primeira prova em trail. Terminei em primeiro lugar na categoria! A Júlia também mandou muito bem e ficou em segunda na categoria.
Júlia no podio. Depois mudaram o resultado por erro no chip e ela ficou em segunda na categoria

Primeiro na categoria

Essa prova também marcou o inicio do treinamento para meu novo desafio: 100 km na Patagonia Run, em 12/04 do ano que vem, dia do meu aniversario! A Júlia fará os 21 km estreando na distancia. Faremos também nossa lua-de-mel oficial. Ficaremos alguns dias passeando pela Argentina. Vai ser difícil, mas longe de ser impossível. 
Esse ano foi muito bom para mim no esporte, sai do zero e nas ultimas provas disputadas estou quase sempre pegando pelo menos pódio na categoria. Meu corpo tem mostrado que consegue agüentar muito. Estou confiante de que com um treinamento adequado consigo vencer este desafio. Vou tentar atualizar mais frequentemente o blog com mais informações sobre preparação e provas!

sábado, 19 de outubro de 2013

Vida de uma Noiva Triatleta

Hoje estava saindo da faculdade (curso Comércio Exterior, 6. período, noturno), pensando em escrever no blog. Não queria contar sobre as provas, pois, apesar de em várias delas acontecerem coisas bem diferentes e divertidas, queria contar algo mais pessoal.
Eu estou noiva há 2 anos e meio e me casarei semana que vem, dia 26 de outubro. Faremos um jantar somente para a família, 40 convidados. Se fosse fazer festa para amigos e pessoas que tenho carinho especial, teria que convidar umas 200 pessoas e não é muito meu estilo festas desse tamanho.
Eu emagreci muito do ano passado para cá. Foram 27kg, somente com alimentação e esporte. Fico meio chateada quando me perguntam se fiz isso pelo casamento. Nããããão! Fiz isso por mim, pela minha saúde, pelo resto da minha vida, não somente para ficar bem nas fotos e depois voltar a ser uma baleia.
Essa semana foi muito difícil para mim. Me mantive muito calma e tranqüila até então, porém a correria está extrema. Não estou ansiosa com o evento em si, pois acho que vai dar tudo certo. Para falar a verdade, estou ansiosa para comer os doces. Faz um bom tempo que não como doces, então isso tem me deixado um pouco tentada.
E o que isso tem a ver com treino? Absolutamente tudo. Os treinos continuam, a vida continua, as responsabilidades continuam. Não é porque vou casar que as coisas tem que parar. Pelo contrário. Sinto que uma das coisas que tem me deixado centrada e tem me dado equilíbrio são justamente os treinos.
Infelizmente, não tenho conseguido fazer todos da maneira como planejado. Não é sempre que consigo correr no horário que desejo e fazer a aula de técnica de ciclismo que está marcada na planilha. Isso me deixa chateada, pois sinto como se tivesse me traindo. A sensação de perder treino é péssima. Tenho sempre que lembrar que será 1 ou 2 semanas assim, depois a regularidade volta ao normal, mas também não posso me cobrar demais, pois será o meu casamento logo logo.
O que eu percebi nessa loucura toda é que não devemos nos jogar totalmente de cabeça em uma só coisa. Amanhã (sábado) vai ser mais um dia cheio. Tenho treino, tenho reunião na faculdade, tenho contas a pagar, arranjos para decidir, tenho uns mimos de noiva para fazer, tenho uma prova de corrida noturna para fazer e tenho uma pizzada na casa de um amigo para ir. Tenho coisas legais para fazer, todos os dias e isso em deixa tão feliz, tão inspirada para o próximo dia que somente posso ser grata. Grata por ter conseguido um equilíbrio em minha vida, por ter o controle das situações (pelo menos eu acho), por ter uma válvula de escape. O esporte!
Gosto demais da possibilidade de poder fugir da loucura diária fazendo algo que me dá um prazer enorme. Uma corridinha de 30min já vale o dia inteiro de felicidade. Desejo profundamente que todos possam encontrar em suas vidas algo tão bom e especial quanto o triathlon é para mim!!!


                                                                 Felicidade!!!
                                               

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Retorno

Sim, sim, eu sei que faz um tempo que não atualizo o blog... por isso, hoje farei um resumo do que rolou no último mês.
Voltei a correr, finalmente, depois de 2 meses parada devido à uma lesão no músculo da coxa. Fiquei  muito contente, pois meus tempos na corrida baixaram quase 1min no pace. Uau! Será que se ficar mais tempo sem correr, voltarei correndo para 3:45 min/km?  : )
Com isso, fiquei bem motivada para voltar a participar de provas. Como quem procura acha, achei uma bem legal, porém de travessia.
Dia 07 de setembro ocorreu uma Ultramaratona com distâncias de 50km e 100km. Não, não, não fiz essa não. Participei dela de outra maneira, como staff. Auxiliei meu sogro e um amigo dele. Acabou que meu noivo o Felipe e eu também acabamos correndo um pouco para motivar os dois corredores.
No domingo, dia 08, foi o dia da minha prova, a Maratona Aquática de Guaraqueçaba, organizada pela Correr e Nadar. As distâncias eram de 600m, 1.5km e 3km.
Chegou o horário marcado (na verdade atrasou um pouco) e pegamos o barco para a largada, que foi feita dentro do mar. As bóias estavam dispostas em linha reta, o que fazia parecer as distâncias bem maiores! Saltaram os nadadores dos 3.000m e fomos acompanhando de dentro do barco, até nossa bóia de 1.500m.  Pulamos para nos esquentar, pois a água estava fria, deu tempo de dar duas braçadas e a largada foi feita. Nadei com uma única estratégia, nadar o mais forte possível, possibilitando que eu chegasse bem. Quando vi a bóia de 600m só pensei: “Tô em casa!”.
A chegada foi em um trapiche. Quando coloquei o pé na escada, dei stop no Garmin, esperando ter batido o meu objetivo, 28 min. Para minha surpresa fiz em 25min20seg!!! Acabei ficando em 6a posição no geral e 1a da minha categoria 25 – 29 anos.
Tomei água, comi uma banana seca e ouvi o organizador da prova convidando os participantes dos 3 e 1.5km que estivessem bem para participar da prova dos 600m. Pensei um pouco e fui!
Como as provas de 600m são mais para iniciantes, era para nós ajudarmos quem precisasse de ajuda. Pegamos o barco novamente e pulamos na água. Deu a largada e comecei a nadar. Vi um nadador que parece um pouco nervoso (André). Ele nadava de costas, parava, olhava para trás e eu pensei que teria que ajuda-lo. Fiquei ali com ele, conversei, tentei tranquilizar, fui nadando ao lado e quando vimos já tínhamos chego. Foi uma experiência ótima para ambos! Fiquei muito feliz por ter ajudado ele em sua primeira travessia e ele ficou feliz por ter vencido os medos e ter completado a prova.
Duas semanas antes dessa travessia, ocorreu na praia de Caiobá um treino com as mesmas distâncias de um meio Ironman (2km de natação, 90km ciclismo e 21km de corrida).  Fui lá para participar da natação.
Uma atleta que treina comigo na mesma assessoria que eu tinha (Paula) muito medo de nadar no mar, então ofereci para ela nadar comigo. Eram 4 voltas de 500m. Fizemos 2 voltas juntas e foi ótimo. Ela perdeu o medo e acabou gostando de nadar no mar.
Nesse mês acabei ganhando 2 afilhados do mar e acima de tudo, 2 amigos muito queridos, que espero que desenvolvam o mesmo amor que tenho em nadar no mar.

O esporte muda mesmo nossas vidas, trazendo sempre boas surpresas e ótimas histórias!!!

                                                                       Eu e André

                                                                      Eu e Paula

terça-feira, 13 de agosto de 2013

2a. Corrida do Pinhão em Tijucas do Sul


Neste domingo dia 11 de agosto, eu Felipe, participei dos 13 km da 2a corrida do Pinhão em Tijucas do Sul. Escolhi essa prova como parte do treinamento para a corrida da Subida da Graciosa (20 km), que farei dia 06/10. Não sabia muito o que esperar dessa prova. A semana de treinamentos precedendo ela foi muito puxada e para piorar a situação, no sábado fiz um tour pelo Rio de Janeiro junto com a Júlia. Andamos muito e chegamos em casa somente à meia-noite. Resultado: pernas muito cansadas e pouco tempo de sono. Para eu terminar a prova já seria muito bom, já que ela tinha muitas subidas e é o tipo de prova que tenho muito pouca experiência.
Altimetria da prova

Toca o despertador as 6:20 da manhã e não tenho muita opção. Coloco a roupa já separada no dia anterior, tomo um café da manhã, dou um abraço no meu pai (afinal era dia dos pais) e eu, Júlia e meus pais seguimos rumo à Tijucas do Sul. Estava muito frio de manhã. Fazia muito tempo que não sentia tanto frio já que quando estou na plataforma raramente saio da área do casario e quando estou em Curitiba, felizmente os dias são ensolarados. Fiquei em dúvida no que vestir pra correr. No fim optei por usar uma camiseta de compressão, uma camiseta dryfit por cima, manguitos, uma touca, calção de corrida normal e uma luva. Me senti meio incomodado com tudo isso e no fim quase não usei nada do traje original.  Chegamos em Tijucas do Sul, pegamos o kit e fomos em direção ao Recanto do Saltinho, um local muito bonito e de onde sairia a prova dos 13 kms.
Recanto do Saltinho
Esperamos um tempo por ali. O tempo começou a esquentar e percebi que ia passar calor se corresse com tanta roupa. Resolvi tirar a touca, a camiseta de compressão e a luva. Fiquei com medo que meus mamilos rachassem durante a corrida por conta da camiseta (primeira vez que eu estava usando esta camiseta) e pelo frio. Fui atrás de um esparadrapo ou uma vaselina. Não achei nenhum dos dois, então usei o que eu achei, manteiga de cacau. Deu certo pelo menos.

Depois de esperar mais ou menos uns 30 minutos chegou a hora da largada. Nada muito produzido, apenas o pessoal alinhou e o organizador faz a contagem regressiva e partimos. Apertei o start no Garmim. Ops, nada aconteceu. Apertei de novo. Nada. Travou, já era. Aproveitei que a corrida fazia uma volta e passava pela largada novamente e entreguei o Garmim à Júlia que me esperava para tirar foto.
Entregando o garmim
E lá fui eu, pela primeira vez em um ano desde que comecei a correr que corri sem monitoração nenhuma. Fiquei até feliz, sempre quis fazer isso anteriormente mas sempre tive "preguiça". Como era só um "treino" não tinha muito a perder mesmo. 

Logo no começo percebi que muita gente ficou para trás, começamos numa subidinha leve e fui sem forçar muito. O primeiro km devo ter feito entre os 7 primeiros corredores. Aos poucos fui passando os corredores à frente. Lá pelo quarto km eu achava que estava entre os 3 primeiros e a Júlia passou por mim de carro, junto com minha mãe. Anunciei isso para elas e entreguei os manguitos que já estavam incomodando pelo calor. Me incentivou bastante ver elas e isso me deu forças para buscar o corredor que estava à minha frente. Achei que iria terminar a corrida e não iria ultrapassar ele, já que ele estava uns 300 metros à minha frente. De vez em quando via outros dois corredores à frente vestindo vermelho. Achei que esses fossem os primeiros lugares da corrida de 25 e 13 kms. A missão de ultrapassar eles era impensável já que mal os via, a maior parte do tempo. Não me preocupei muito, afinal na minha cabeça eu estava em terceiro geral, minha melhor colocação já alcançada em todas as corridas que já fiz. Sem o Garmim não tinha como saber como estava meu pace, a quanto tempo estava na prova e qual a distância que tinha percorrido. Sabia que tinha um posto de água no km 5 e quando passei por ele fiquei feliz. Estava me sentindo ótimo, nem parecia que já tinha corrido 5 kms! Fiquei muito feliz de estar sem o Garmim neste momento. |Estava aproveitando demais a prova e sem nenhum compromisso. Pouco tempo depois de passar pelo posto de água vi que o corredor que estava logo à minha frente, tinha diminuído bastante o ritmo. Apertei o passo e passei. Fiquei apreensivo achando que ele poderia me passar pouco tempo depois e de vez em quando, olhava para trás para avaliar a vantagem que eu tinha. Com mais 1 km, mais ou menos, abri bastante vantagem e já conseguia ver os dois corredores de vermelho mais de perto.

Saímos da estrada de chão (que era a maior parte do percurso) e entramos na estrada que vai em direção ao centro da cidade de Tijucas do Sul. Agora as subidas eram mais longas e mais difíceis. Essas subidas finais eram as minhas maiores preocupações, mas pelo que pude perceber não estava tão mal. Os corredores de vermelho estavam cada vez mais perto de mim, percebi que conseguia aproximar cada vez mais nas subidas. E foi assim por 3 ou 4 km. Faltando mais ou menos 2 km para acabar a corrida, um dos corredores de vermelho começou a andar na subida! Aquele foi o maior incentivo que tive para alcançá-los. Apesar de estar bastante cansado pelo sobe e desce, eu ainda tinha gás para alcançar. E alcancei. Faltando 1 km ultrapassei eles. Aproveitei e ainda tentei abrir um pouco de distância sobre eles. Nessa hora nem sabia em qual posição eu estava.

Senti bastante o aumento da velocidade, comecei a ficar bem enjoado, mas como já estava no final da corrida não liguei muito. Eles estavam logo atrás de mim, qualquer vacilo e seria ultrapassado. Sempre olhava para trás para avaliar a distância. Quando chegamos na praça onde ficava a chegada da corrida, comecei o sprint e um dos corredores veio logo atrás. Sofri bastante e ele chegou a encostar em mim, porém resisti e consegui manter a posição até o final da prova.
Chegando

Quase lá

Acabou!

Cansei

O corredor que estava logo atrás de mim

Logo após chegar, perguntei para um dos organizadores em que lugar eu havia chegado. 2o. lugar nos 13 km! Uhuuuu! Nem sabia que tinha ido tão bem. Imaginava que estava na frente, mas nunca imaginei que chegaria em segundo lugar. Meu tempo final foi 52:30, média de 4:17 min/km (a prova tinha 12,5 km). Me hidratei, comi um pouco e voltei para o percurso para correr o final com o meu pai que já estava chegando.




Ficamos um tempo por ali incentivando os outros corredores que chegavam e esperando a premiação.

Segundo lugar geral


Segundo lugar na categoria
Gostei muito da prova, pra facilitar vou colocar meus pontos positivos e negativos da prova:

-Positivos:
  • Percurso agradável;
  • Água estava bem distribuída em 3 postos;
  • As subidas e descidas foram um ótimo treinamento;
  • Corri sem o Garmim. Sempre quis fazer isso, mas faltava coragem. Acho que podia ter forçado um pouco mais no começo da prova, mas o resultado diz tudo =);
  • Gosto de provas pequenas. Odeio ficar ultrapassando gente no inicio da prova para conseguir correr no meu ritmo;
  • Meu primeiro pódio!
-Negativos:
  • Percurso muito mal sinalizado. MUITO MAL mesmo, tanto que próximo a entrada da cidade quase me perdi, não sabia para onde correr. Tive que seguir uma placa no trevo de entrada que sinalizava Tijucas do Sul. Os corredores que fizeram 25 km correram 28 km por conta de problemas de sinalização;
  • Poucas sinalizações de quilometragem;
  • Não haviam pessoas nos postos de água para entregar a água;
  • O final da prova acontecia em uma rodovia movimentada. Muito risco de atropelamentos, não havia sinalização para os carros de que havia uma corrida acontecendo.
No geral acredito que esses pontos se empataram. Mas creio que a organização deveria ficar bem mais atenta em relação a corrida passar pela rodovia. Qualquer acidente acontecido ali teriam sérias consequências legais, tanto para a prefeitura que liberou a prova, quanto para os organizadores, isso sem contar a segurança dos atletas.

Saímos de Tijucas e passamos o restante do domingo na chácara, relaxando. Domingo perfeito!


Apesar do ótimo resultado, nada mudou nos treinos e estou cada vez mais focado e pegando cada vez mais pesado para o próximo desafio. Quero fazer bonito na Graciosa!